À Luz da Palavra IV DOMINGO DE QUARESMA
2Cr 26,14-16.19-23; Sl 136; Ef 2,4-10; Jo 3,14-21
Aproximamo-nos da Semana da Paixão e da grande Festa da Páscoa. À medida que caminhamos, temos de nos definirmos. Não podemos ficar indiferentes diante do que vamos vendo e ouvindo. Por isso, a liturgia desta IV Semana da Quaresma tem uma pregunta implícita e desafia-nos a fazer uma opção: Escolhes a luz ou as trevas?
Quando lemos os textos do Evangelho de S. João e da Carta aos Efésios, acontece como quando abrimos uma grande janela. Ao mesmo tempo vemos o que há no exterior (podendo inclusive ficar deslumbrados pela claridade e fascinados pela beleza da paisagem) entra o sol que ilumina todo o espaço em que nos encontramos.
Estas leituras não deixam margem para dúvidas, abrem-nos à realidade de Deus, à grandeza e à beleza da verdade sobre Deus, ao mesmo tempo que esclarecem sobre o que é verdadeiramente o ser humano.
Deus é amor, Deus é misericórdia, Deus é vida, e “pela bondade que tem para connosco, em Cristo Jesus, quer assim mostrar, nos tempos futuros, a extraordinária riqueza da sua graça” (Ef 2,7). Deus ama tanto os homens que não se conforma que vivamos com mediocridade, apenas pela metade, e por isso quer que tenhamos “a vida eterna” (Jo 3,16), a vida a transbordar, agora e para sempre.
E para que tudo isto aconteça segundo o seu projecto, não poupa nos meios. Está disposto a dar tudo, a oferecer tudo, a arriscar tudo, por isso entrega-nos “o seu Filho unigénito”. Jesus é a Luz. Da sua maneira de viver e morrer irradia uma claridade imensa. Quem se deixa iluminar por Ele encontra os caminhos da vida, encontra espaço para ser ele mesmo e desenvolver melhor o que há no seu íntimo. A Luz mostra ao ser humano que ele mesmo é uma boa obra de Deus, agradável aos olhos do Criador e com capacidade para viver a ternura, o acolhimento, a misericórdia, a criatividade, ao estilo de Jesus (cf. Ef 2,10). Com capacidade para criar espaços de luz e vida. Para criar pontos, no meio da nossa sociedade, onde se ofereçam esperança, onde se desenhem projectos de solidariedade, onde se façam propostas para desfrutar e viver com alegria e autenticidade.
Só se pede ao ser humano uma coisa: a fé. Crer não como adesão racional a umas ideias, mas como adesão a um coração, ao coração do Senhor Jesus. Uma fé que, porque escolhe a luz e se deixa deslumbrar e seduzir por ela, introduz o crente na intimidade com Deus, numa profunda e feliz amizade com Ele.
Estrella Rodríguez,
FMVD
