O Papa Bento XVI em África disse alguma heresia?

Para a maior parte dos órgãos de comunicação social, nomeadamente portugueses, a recente visita do Papa Bento XVI a África ficou assinalada pela referência à utilização do preservativo. Palavra de honra! Este é o mundo que temos, este é o mundo em que vivemos!

Para os nossos jornalistas e televisões, a corrupção, lavagens de dinheiro, as guerras civis, a violação dos direitos humanos, a fome, a miséria, os campos de refugiados, o tráfico de mulheres e crianças, os assassínios de tantos missionários, o fundamentalismo islâmico, as poucas vergonhas em África, as ditaduras infames de certos governantes, a tuberculose, a malária, os emigrantes que tentam a salto atingir a Europa em que a maior parte, incluindo crianças, morrem afogados no mar, como aconteceu recentemente na Costa da Líbia (centenas e ninguém lhes acudiu!), isto são assuntos e problemas de menos importância e que não merecem ser destacados na mensagem que o Papa lá deixou.

Só o preservativo é que conta!

Como se o preservativo fosse a salvação da humanidade!…

Eu desafio os cientistas, os humanistas, os jornalistas a provarem o contrário. A meu ver, só apanha a Sida e é contaminado por ela quem quer. O homem é livre. Até é livre de fazer asneiras.

Acerca do alerta do Papa, sem papas na língua, é caso para recordar aqui a célebre pergunta que Cristo fez ao soldado carrasco no Pretório de Pilatos, quando lhe deu uma bofetada – “Se falei mal diz-me em quê, se falei bem, porque me bates?” Claro que não teve resposta.

Mal vai a África quando a salvação do seu povo está na utilização do preservativo…

Temos que nos habituar a vi-ver com os portugueses que temos, porque não há outros, como disse o Duque de Palmela.

Esperava mais da “acção humanitária” do Dr. Jorge Sampaio e do Eng. António Guterres em terras africanas. Eles por lá andam, mas…

“Viva o Papa”, com este grito, o povo angolano deu uma espectacular lição de diplomacia e dignidade aos jornalistas portugueses.

Basílio de Oliveira