O antigo bacalhoeiro Argus, imortalizado pelo livro e documentário “A campanha do Argus”, do australiano Alan Villiers, foi adquirido pela empresa Pascoal & Filhos, da Gafanha da Nazaré, e entrou no Porto de Aveiro no dia 6 de Abril. Eram 10h30 e algumas dezenas de populares aguardavam na Barra o lugre similar ao Creoula e ao Santa Maria Manuela, este último em recuperação pela mesma empresa.
A Pascoal & Filhos vai ava-liar o estado do Polynesia II – nome com que o navio que passeios turísticos no mar das Caraíbas depois de 1975 – e pondera a possibilidade de dar-lhe o mesmo destino do Santa Maria Manuela: o desenvolvimento de actividades culturais, científicas e promocionais, “mas devidamente enquadradas num projecto económico sustentável”, como referiu ao Correio do Vouga Aníbal Paião, administrador da firma proprietária, enquanto aguardava, de binóculos, a entrada do lugre na Barra de Aveiro. Para já, não há prazos para a recuperação deste navio que está pela primeira vez no Porto de Aveiro, acostado no cais dos bacalhoeiros. Curiosamente, o pai do administrador da Pascoal & Filhos foi um dos capitães deste navio adquirido em leilão, no dia 22 de Janeiro de 2009, na ilha de Aruba (mar das Caraíbas), por uma quantia não revelada.
O Argus foi construído na Holanda, em 1938, para a Parceria Geral de Pescarias, de Lisboa. Até 1970, ano em que pescou pela última vez, era considerado o navio mais rentável. Para muitos, pode agora realizar-se um sonho: ver os três antigos bacalhoeiros de quatro mastros, o Creoula, o Santa Maria Manuela (ambos de 1937) e o Argus, numa mesma regata.
J.P.F.
