Um homem inquieto, um apóstolo insuperável

Livro Paulo. Um homem inquieto, um apóstolo insuperável

Jerome Murphy-O’Connor

Paulinas

340 páginas

Na apresentação de “Paulo. Um homem inquieto, um apóstolo insuperável” (páginas 7 a 10), P.e Tolentino Mendonça escreve que este livro não é propriamente “um projecto de romance histórico, pois a imaginação romanesca continua aqui controlada por critérios de natureza científica”. Dizendo o que não é, dá a entender ao mesmo tempo que poder ser tomado como tal, ou que por vezes é tomado como tal.

Ora, mesmo numa primeira leitura, ainda que salteada, ficamos, de facto, com a impressão de que não estamos a ler um típico livro de teologia, mas antes uma biografia com conjecturas típicas de um ensaio e explicações como que de um romance. O poder de sugestão, a informação abundante de locais, pessoas e circunstâncias, a erudição, a linguagem quase jornalística… fazem com que esta narrativa sobre Paulo ultrapasse as expectativas que à partida o leitor poderá ter sobre a biografia de alguém de há dois milénios e que por vezes está demasiado formatado por três ou quatro ideias das leituras dominicais da Eucaristia e do lugar-comum.

O autor, especialista em São Paulo, considera que o seu grande estudo crítico sobre S. Paulo (“Paul, a critical life”), de 1966, está para o apóstolo real como o esqueleto para o corpo humano: os ossos pouco dizem sobre a pessoa que esteve na origem deles. Era preciso dar o sopro da vida ao esqueleto. É o que este livro de 2003 faz. Escreve o autor no Prefácio que, com a presente obra, “Paulo é mais real, como pessoa, e mais inteligível, como teólogo”. E mais humano como santo – acrescentamos.

Provavelmente, a mais estimulante obra editada em português sobre São Paulo.

J.P.F.