Carlos Candal (1931-2009)

Faleceu, no dia 18 de Junho, Carlos Candal, conhecido advogado aveirense, membro da Assembleia Municipal de Aveiro e seu presidente entre

1997 e 2005

Carlos Candal, 71 anos, não recuperou do AVC sofrido no dia 14 de Maio, quando participava numa acção de pré-campanha para as Europeias, na Universidade de Aveiro, e faleceu na quinta-feira passada.

O funeral do fundador e militante 44 do Partido Socialista realizou-se no sábado, 20 de Junho, da Igreja da Misericórdia para o Cemitério Sul, numa celebração presidida pelo Pároco da Vera Cruz. No Cemitério, o filho de Carlos Candal, o deputado Afonso Candal, dirigindo a palavra aos presentes, afirmou: “O meu pai foi sempre uma voz forte em defesa dos fracos, e nunca foi fraco no confronto com os fortes”. (…) “Não fez tudo o que devia, mas nunca fez nada que não devia”.

A morte de Candal provocou reacções em diversos quadrantes. Mário Soares, representado por João Soares no funeral, disse ser “uma notícia tristíssima” a perda de um “colega e amigo”. José Sócrates, primeiro-ministro e secretário-geral do PS, destacou o “espírito livre e corajoso”, a “dedicação à causa pública, o seu compromisso de sempre com um país livre e desenvolvido”. Filipe Neto Brandão, governador civil de Aveiro, declarou: “Era colega e amigo do meu pai e, desde a mais tenra infância, sempre me habituei à sua presença. Mais tarde, no partido em que decidi militar, foi uma personalidade que marcou indelevelmente todos os que com ele privaram e deixa saudade em todos os que, como no meu caso, o estimavam”. Élio Maia, presidente da Câmara Municipal de Aveiro (que declarou três dias de luto municipal) afirmou: “O município perdeu um aveirense de excepção, um lutador de causas, um tribuno eloquente e capaz, um senhor na concepção mais solene da palavra; que reunia, no seu estilo muito próprio a amizade e o carinho, quer dos seus amigos quer dos seus adversários políticos”.

Carlos Manuel Natividade da Costa Candal (nascido a 1 de Junho de 1938, em Aveiro) estudou Direito em Coimbra, onde presidiu à Associação Académica, em 1961. Após os estudos, foi mobilizado para Timor. Em 1968, aderiu à Acção Socialista Portuguesa e é considerado fundador do PS, embora não tenha estado no momento da fundação, que decorreu na Alemanha. Advogado em Aveiro, integrando um escritório de advogados, Carlos Candal era um causídico de barra, sendo conhecido pela sua eloquência quer no Tribunal quer fora dele. Foi deputado na Assembleia Constituinte, depois na Assembleia da República por diversas legislaturas (I, II, II, IV) e, por fim, no Parlamento Europeu (dois mandatos 1995-1999 e 1999-2004). No Parlamento Europeu exerceu funções de Vice-Presidente da Delegação para as relações com os países membros da ANASE, o Sudeste Asiático e a República da Coreia, tendo sido membro de várias comissões e delegações.