Uma pedrada por semana Escrevi há tempos sobre a necessidade de haver na Igreja um espaço de opinião livre sobre assuntos que nela a todos dizem respeito. E falei, então, do que se passou na diocese de Angra do Heroísmo. Li há tempos recentes um artigo do Correio de Coimbra, titulado “A Igreja não abre a boca” escrito por um leigo cristão militante, lúcido e livre, bem conhecido e estimado, que tenta acordar, a tempo, os cristãos da diocese a que pertence, na qual sempre lutou com denodada generosidade e competência, para o direito e para o dever de se movimentarem para terem, a seu tempo, uma opinião em relação à substituição do seu bispo, a poucos meses do seu limite de idade.
Não se trata, em nenhum dos casos, de uma contestação barata. Está sempre, nos objectivos, a manifestação da comunhão eclesial e da responsabilidade participativa, em assuntos que respeitam a toda a comunidade crente.
A passividade foi, na Igreja, origem de muitos males, hoje não aceitáveis, entre os quais o da clericalização ou o de se reduzir à reflexão, quase exclusiva dos clérigos, de problemas pastorais que envolvem a procura da melhor resposta aos desafios que a Igreja enfrenta, numa sociedade que tem dificuldade em entender e em dialogar.
É auspicioso, embora para alguns incómodo, este movimento que se gera no campo da passividade cristã e que faz rolar a bola de neve. Ele não funciona por decreto. Vai de baixo para cima e, se estiverem conscientes da sua necessidade e valor, devem ser os clérigos, bispos e padres, a estimulá-lo, como dever de educar numa fé activa aqueles que sempre julgaram que acreditar é apenas obedecer ao que dizem os chefes. O poder da hierarquia é um poder sagrado que, na Igreja, se traduz por serviço ao Povo de Deus.
