O pano caiu! Os discursos de vitória, mais ou menos radicalizados deixam ler nas entrelinhas expectativas de mudança. Todavia, ninguém ousa desenhar com rigor cenários de futuro. Os resultados parecem mais uma punição do que a expressão de sonhos e projectos novos.
Paira nos céus da Europa um alheamento significativo dos povos em relação à construção da Europa comum. A abstenção continua a ser a grande vencedora, manifestando distância ou desencanto em relação ao que nos possa trazer a “casa comum”, mais até, em relação ao vazio sentido de propostas claras e convincentes para essa construção.
Nem se falou dos sonhos dos “fundadores”, nem se analisaram os percurso feitos, nem se propuseram ou discutiram caminhos novos: de identidade cultural, de modelos económicos, de políticas d emprego, de solidariedade social, de políticas face à irrecusável interdependência dos continentes, aos efeitos benéficos e maléficos da globalização…
Entre nós, vimos e ouvimos o lavar de roupa suja, o semear de suspeições, o denegrir pessoas, o buscar dividendos nas coisas negativas. Nem mesmo as grandes questões nacionais, devidamente enquadradas na perspectiva europeia – bem certo -, foram itens de discurso atractivo e mobilizador dos eleitores.
Sobra uma responsabilidade redobrada para todos nós. Impõe-se um exame de consciência sério: Queremos “esperar acontecer” ou estamos decididos a tomar outra atitude, que nos permita sermos autênticos protagonistas, “fazendo a hora” do País e da Europa? Os políticos querem ou não ser obreiros de um futuro de esperança, alicerçado na verdade, no trabalho, no respeito mútuo, na solidariedade, deixando de vez as teimosias ideológicas? Os eleitores querem ou não ser críticos e construtores, participativos, não apenas mostrando cartões vermelhos, mas apontando pistas de ousadia e construção realista?
Está nas mãos de todos a Europa, casa comum e encontro das nações, construindo uma identidade própria, sem anular as especificidades de cada povo!
