É uma vergonha e um escândalo!

Colaboração dos Leitores Tranquilos. Não vou falar no epifenómeno, CR7. Este é um dado adquirido e globalizado. Não tem remédio à vista, e a solução parece-me, a médio prazo, muito frustrante para o referido indivíduo que está a ser desgastado na sua imagem e não só…

O que eu considero uma vergonha, um escândalo é o que se passa com o trabalho infantil. Dedica-se um dia do ano ao assunto e os restantes dias a abusar das crianças, empregando-as em trabalhos muito pesados.

Vi, com emoção e revolta, imagens transmitidas no dia 12 de Junho, Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, em que crianças de 2 anos (não há engano – é mesmo 2 anos!), aparecem a partir pedras com um martelo, para ajudar as mães empregues no mesmo trabalho. Estou certa que devem ter sido mais as pancadas nos pequenos deditos do que nas pedras. A seguir outras transportavam tijolos com evidente esforço das mãos que deviam segurar uma boneca, uma bola ou qualquer outro brinquedo!

As imagens que referi não dizem respeito ao nosso país, o que não quer dizer que estejamos imunes a tal flagelo.

Em 1990, o trabalho infantil era ainda uma chaga social, mas a fiscalização e o aumento da escolaridade obrigatória, diminuíram um pouco o seu impacto na sociedade.

A escolaridade obrigatória ainda é em muitos lugares uma quimera e quanto à fiscalização é fraca por falta de meios humanos e vontade política e as próprias crianças envolvidas são industriadas para fugir dos locais de trabalho quando se anuncia a presença dos inspectores.

Se muitos dos que recorrem ao trabalho infantil na pessoa dos filhos, o fazem por necessidade de aumentar o salário familiar, também há pais que fomentam e se orgulham do «trabalho» dos filhos. Estou a referir-me ao trabalho dito artístico. Para spots publicitários e telenovelas empurram os filhos para as luzes da ribalta. Aí, não só lhes roubam tempo para descansar ou brincar, mas envolvem-nos em ambientes morais que deixam muito a desejar.

Muito do trabalho infantil é um trampolim para o abismo moral e não sou eu que o digo, mas alguém que é especialista – Catarina Tomaz, da Universidade do Minho. “No caso português, verificamos, nos últimos anos, uma passagem da exploração directa – através das fábricas e dos ateliers de confecção e calçado – para as piores formas, que são o tráfico de menores, nomeadamente a prostituição infantil”.

O observador permanente da Santa Sé na ONU em Genebra, D. Silvano Maria Tomasi, durante os trabalhos do 98º Encontro Anual da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que se realizou em Genebra, na Suíça, pediu que fosse assegurada a dignidade dos trabalhadores. Com certeza que na sua mente estavam os trabalhadores jovens e adultos. O que diria D. Tomasi, se se referisse ao trabalho infantil?

Aí, além do atentado à dignidade da criança, há uma violação dos seus direitos e um hipotecar do seu futuro, quer em relação ao desenvolvimento físico, quer psicológico e mental.

Maria Fernanda Barroca