Uma pedrada por semana Entrei na linda catedral de Zagreb, como crente, mas, também, como turista que vê admira e aprende. Recolhi-me um pouco e iniciei a minha visita. Gente que entrava e saía. Logo me apercebi de que alguns, homens, mulheres, rapazes, raparigas e até crianças, se dirigiam para o mesmo sítio e eu segui-os. Estava ali o túmulo do Cardeal Alojzije Stepinac. Um nome bem recordado pela gente que, na década de quarenta, já tinha consciência das perseguições religiosas nos países do leste europeu, ocupados por regimes comunistas. Fiquei a observar. Joelhos em terra, atitude profunda de orantes, algumas lágrimas mal contidas, beijos respeitosos no túmulo ou numa pequena moldura que o enfeita.
Stepinac foi preso em Setembro de 1946, tinha então 48 anos. Zagreb era a capital da Croácia, parte importante da Jugoslávia, esse país artificial feito pelo Marechal Tito, com gente de nações diversas (Sérvia, Eslovénia, Croácia, Bósnia, Herzegovina, Montenegro, Kosovo…) Diferentes na cultura, religião, tradições e línguas. Uma força a suster Moscovo, mas afinando no mesmo tom, em relação a qualquer expressão religiosa. Muitas prisões, muitas negociações, um martírio longo e paciente. A Igreja, fiel à sua história, apenas queria reconhecido o direito de existir e de realizar a sua missão. Stepinac esteve longos anos na prisão. Morreu em 1960 com 62 anos. João Paulo II beatificou-o em 1998. O povo de há muito o venera como santo.
Ali me recolhi também e pensei em outros mártires heróis daquelas terras: Seper, Mindzenty, Beran, Tomásek, Wyszynski…no sofrimento de Pio XII, de João XXIII, de Paulo VI, de João Paulo II… na tarefa impar, de fé e de persistência, do grande Cardeal Casaroli, que nos deixou, no seu maravilhoso livro “O Martírio da Paciência”, das edições Paulus, páginas para meditar onde melhor se pode conhecer a história e o coração humano.
Na Croácia, os quatro Seminários Maiores estão cheios de seminaristas. Setenta e três no de Zagreb… As perseguições temperaram a fé. Ninguém vence Deus, nem o seu amor, nem a sua paciência.
