Nas Festas da cidade: Ave, aveirenses ilustres!

Colaboração dos Leitores Mais do que nunca, hoje, Aveiro orgulha-se do seu passado, vive intensamente o seu presente e olha com confiança o seu futuro. E se Aveiro tem história milenária, é de justiça recordar aqui e agora alguém, entre muitos, a quem a cidade deve a sua coroa de glória – a cidade digna, bela, e progressiva que é hoje, no ano 2010.

Santa Joana Princesa, a menina bonita que ao trocar as honras da corte pelo conventinho de Aveiro conquistou o coração de Deus e de todos os aveirenses. A história de Aveiro não se faz sem evocar Santa Joana, padroeira da cidade e da diocese.

Infante D. Pedro, há séculos (século XV) o maior defensor da cidade. Para ele, Aveiro era a sua pequena Lisboa. O senhor de Aveiro para todo o sempre.

José Estêvão, o grande tribuno aveirense. Ai se José Estêvão pudesse voltar à Assembleia da República, punha tudo em sentido. Só lhe faltou trazer a capital de Portugal para Aveiro.

Dr. Homem Cristo, paladino da instrução popular, o orador exímio, o escritor espectacular, jornalista com pena bem afiada. A defesa de Aveiro acima de tudo. Grande Aveirense!

D. João Evangelista, que grande doutor da Igreja! O homem que, depois de percorrer as sete partidas do mundo, qual S. Paulo do nosso tempo, morreu com apenas dois amores – Deus e Aveiro.

Dr. Lourenço Peixinho, médico exemplar, autarca com uma visão rasgada do futuro. Revolucionou a cidade.

Jaime de Magalhães Lima, o pensador, o romancista, o crítico, a eloquência na expressão, o profeta da fraternidade, o Tolstoi português.

Dr. Mário Sacramento, o inconformado, o médico que fazia da sua profissão um autêntico sacerdócio. “Façam um mundo melhor, ouviram?” Que grande aveirense!

Dr. Alberto Souto, uma das figuras que Aveiro não esquece. Homem simples e de grande cultura. Quando falava arrebatava multidões. A Ria, a Barra, o Museu; “Eu sou cristão. Quero uma cruz na minha sepultura”. Muito bem!

Dr. Francisco Vale Guimarães. Aveiro não pode esquecer o seu Governador Civil, por excelência. Homem terra-a-terra, estava sempre em cima do acontecimento. Defensor acérrimo da liberdade e da Democracia, Aveiro jamais o esquecerá, pelo seu arreigado aveirismo. Um grande amigo.

Dr. Orlando de Oliveira. Magnífico reitor. O grande fundador da Universidade de Aveiro, a quem, com muito entusiasmo e orgulho, eu acompanhei nessa gloriosa tarefa, que honra todos os demais que trabalharam connosco para que o sonho se tornasse realidade. Aconteceu em 11 de Agosto de 1973 – Decreto 402/73. A universidade é a coroa de glória de Aveiro do século XX.

Dr. Girão Pereira, um presidente de Câmara à altura dos pergaminhos da cidade de Aveiro. Conhecedor profundo da verdadeira realidade aveirense, levou a cidade e o concelho até onde quis e pôde. Todo ele pureza de sentimentos, todo ele “humano”, deixou um rasto , como homem e como autarca que jamais se apagará do chão sagrado da nossa cidade. Ainda há muito a esperar dele.

Monsenhor João Gonçalves Gaspar. Toda a vida do Monsenhor, como padre, como homem, escritor e historiador, tem sido um autêntico hino cantado às gentes de Aveiro, e à sua cidade, acompanhado por música, fanfarra, foguetes e tudo. O que seria de Aveiro, da nossa Diocese, do nosso distrito, se não tivesse surgido na nossa terra um Monsenhor João Gonçalves Gaspar? O homem sem sono que dia e noite tem procurado ir às raízes mais profundas da história milenária de Aveiro e não só, na ânsia sobre-humana de as transmitir às gerações vindouras. Se há alguém que na história da literatura portuguesa merece ser laureado com o prémio Nobel da Literatura, o Monsenhor é um deles.

Nele e com ele a quietude e a limpidez cristalina das gentes da Ria. Para ele a mais fagueira das mensagens na profunda admiração pelo homem bom e ilustre escritor que é.

Aveiro não pode esquecer a plêiade destes e doutros homens insignes que a dignificaram e engrandeceram, que lhe traçaram caminhos de futuro. Pena tenho de não lembrar aqui muitos outros que também o merecem.

Ave, aveirenses ilustres!

Basílio de Oliveira