Semana dos Seminários Como todos os anos, o Correio do Vouga não esquece a Semana dos Seminários, que ocorre, desta feita, entre 9 e 16 de Novembro, tendo sempre em conta que o Seminário de Santa Joana Princesa não é, em Aveiro, só o belo edifício representativo da década de 50 do século passado. Vai muito para além disso, pois envolve candidatos ao sacerdócio, bispo diocesano, padres e diáconos, reitor, director espiritual, professores, funcionários e todos os cristãos que assumem a necessidade de contribuir para a formação dos que, eventualmente, poderão vir a servir a Igreja e os irmãos, numa entrega total de consagração.
Para nos falar desta realidade, ninguém melhor do que o Reitor do Seminário de Santa Joana Princesa, padre Virgílio Susana e Maia, que nos recebeu com o seu tradicional sorriso. Talvez por isso, considerou que “é importante que os padres mostrem a alegria do seu sacerdócio” para, de alguma forma, se vencer a crise de vocações. “Não devemos ter medo de falar da nossa experiência sacerdotal, sem negativismos nem pessimismos, apesar do peso da nossa missão”, adiantou.
Por outro lado, entende que as comunidades cristãs têm de mostrar o que representa para a família e para as pessoas o padre, que lhes leva “o amor e o perdão de Deus”. Se os cristão não podem viver sem Eucaristia, então têm de testemunhar aos jovens a gratidão que devemos sentir pelos padres que se disponibilizam para os servir, nesta como noutras missões.
Falando um pouco de si, o padre Virgílio sublinhou que a sua maior alegria está “no dar a sua vida gratuitamente, olhando as pessoas por aquilo que elas são e não por aquilo que gostaria que elas fossem”. E no seu trabalho no Seminário, tem como anseios ver chegar muitos mais jovens para se entregarem à caminhada rumo aos sacerdócio.
Contudo, é seu desejo implementar naquela casa de formação uma “autêntica vida de comunhão, num ambiente de verdade e de sinceridade, e no amor a Jesus Cristo e à Sua Palavra”. Mas ainda gostaria que todos pudessem, no seminário e fora dele, “ajudar os jovens em todos os momentos, para que possam aprender de nós esta doação sem reservas a Deus, à Igreja e aos irmãos”.
Quando questionado sobre a tão propalada e real crise de vocações sacerdotais, o Reitor do Seminário frisou que, em seu entender, a crise que vivemos é mais de fé, sublinhando que na Igreja já há experiências e iniciativas que apostam na procura e vivência das nossa raiz cristã, que é o Baptismo, a base do nosso encontro pessoal com Cristo. “Ora — adiantou — os candidatos ao Seminário apresentam-se apenas com rudimentos aprendidos, mas ainda não se encontraram com o Senhor.”
“Eu, por exemplo, nasci para Cristo através de uma experiência neocatecumenal, de um itinerário de vários anos em que fui revivendo o Baptismo”. Por isso, o padre Virgílio entende que é preciso ajudar as pessoas a passarem a fase do “ouvir dizer para a de conhecer Jesus Cristo”. E acrescentou: “Para mim, o grande problema da Igreja é não conseguir conduzir as pessoas ao verdadeiro encontro com Jesus Cristo, encontro esse que molda a vida e cria, dentro do coração do jovem, este desejo de estar disponível para seguir a sua própria vocação: de matrimónio ou de consagração.”
Reconheceu que os jovens do nosso tempo têm imensas solicitações que o afastam da Igreja e de Jesus Cristo, frisando que vivemos numa sociedade muito materializada, em que os valores cristãos são menosprezados frequentemente. Mas também sente que estamos a entrar numa época semelhante à de Roma dos primeiros tempos apostólicos, onde o cristianismo floresceu como fermento. Hoje, a Igreja “tem de ter raízes sólidas para as pessoas não se diluírem, procurando compromissos com o mundo e com uma religiosidade que não converte nem chama ninguém à fé”.
Importa, salientou o padre Virgílio, que a Igreja assuma viver sinais de contradição que acordem o mundo em que vivemos, sinais esses que os jovens tantas vezes aceitam. E as vocações de consagração são precisamente esses sinais de contradição no meio de um mundo cada vez mais secularizado, afirmou o Reitor do Seminário.
