À Luz da Palavra A liturgia da Palavra deste 2º domingo comum centra-se em torno do amor fiel e incondicional de Deus para com o seu povo, apresentado sob a simbologia do casamento: uma aliança de amor entre duas par-tes: o esposo (Deus) e a esposa (Povo).
A primeira leitura, do livro do Trito-Isaías, apresenta a cidade de Jerusalém como esposa de Jahvé. O amor do marido pela esposa é a imagem que define, de modo feliz, a ternura imensa e permanente do amor de Deus pelo seu Povo. Por isso, aquela que era a “abandonada”, a “devastada”, torna-se agora a “predilecta”, a “desposada”, porque Deus-esposo não revoga o seu amor, apesar das muitas infidelidades de Jerusalém. Ao contrário, faz rejuvenescer a relação de amor, transformando a esposa infiel em “coroa esplendorosa”, em “diadema real” nas suas mãos. O amor esponsal assim reabilitado é uma alegria para Deus, pois que caminhando ao lado do seu povo, Deus só está feliz quando o ser humano aceita o amor que Ele partilha connosco e que enche de paz, de vida e de felicidade o coração de cada homem e de cada mulher. Viver esta relação esponsal com Deus-amor exige que também cada um e cada uma de nós seja “profeta do amor”, ou seja, que deixemos transparecer nas nossas relações humanas o amor incondicional e terno com que Deus nos ama, na alegria.
O evangelho segundo João, enquadra a acção de Jesus no âmbito de um casamento. É evidente que João nos quer apresentar os sinais do reino, através de simbologias que nos convidam a descobrir, para além dos episódios concretos, a realidade mais profunda que a narrativa contém. Assim, o mais importante aqui não é que a água tenha sido transformada em vinho, mas que Jesus tenha vindo insistir e aperfeiçoar a relação esponsal entre Deus e cada pessoa humana, que é o novo vinho da alegria, do amor e da festa, já descrita na primeira leitura. O vinho é o símbolo do amor; assim como ele é o ingrediente indispensável à boda, também o amor é o elemento essencial entre o esposo e a esposa. A nossa relação a Deus fica, assim, purificada de tudo aquilo que é “exterioridade” para se transformar numa relação com um Deus terno e bondoso, que é Pai/Mãe, Filho/Irmão e Espírito/Consolador, que se enche de alegria quando nos deixamos amar e encontrar por Ele. Jesus é quem nos dá o vinho do amor; é nele que nos encontramos com Deus.
Na segunda leitura, Paulo enumera os diferentes carismas da comunidade e deixa bem claro que, apesar da diversidade, todos eles provêm do mesmo Senhor e do mesmo Espírito, e que devem ser postos ao serviço do bem co-mum. É o mesmo Deus trinitário que a todos une e a comunidade cristã há-de reflectir esta comunidade divina. A diversidade de dons, não deve ser, pois, um motivo de divisão ou de conflito, mas de enriquecimento para todos. É essencial que cada cristão e cada cristã tenha consciência dos seus próprios “carismas”, de modo a servir a comunidade com eles, na alegria e na simplicidade. Não há carismas mais importantes que outros; também não há pessoas mais dignas que outras. Na comunidade cristã todas as pessoas são necessárias e importantes, cada uma pondo a render ao serviço das outras os dons que recebeu de Deus. Só deste modo a comunidade há-de ser ícone do amor da Santíssima Trindade.
Leituras do 2º Domingo do Tempo Comum – Ano C
Is 62,1-5; Sl 95 (96); 2 Cor 12,4-11; Jo 2,1-11
