Ribau Esteves garante: “Eu sei que vamos fazer a Marina da Barra”

Mostrando-se avesso a fundamentalismos, o autarca ilhavense acredita no projecto e jura defender a construção da Marina da Barra

Ao citar Durão Barroso, que admitiu que um dia seria primeiro-ministro, só não sabia quando, o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, garantiu que também sabia que vamos construir a Marina da Barra, não sabendo apenas em que mês e ano vão começar as obras. Esta certeza foi avançada na quinta-feira, em conferência de imprensa convocada para mostrar o balanço da obra feita pela autarquia nos últimos dois anos e para apresentar um rol de projectos para os próximos tempos.

Mostrando-se avesso aos “fundamentalistas” que estão contra a Marina da Barra, contra a Polis de Aveiro, “só porque vai ocupar 20 ou 30 hectares de marinhas onde há uns pássaros que põem um ovo de vez em quando”, contra a ligação ferroviária da Linha do Norte ao Porto de Aveiro e contra a incinera-dora na Região Centro, de que tanto precisamos, o autarca ilhavense afiançou que não desistirá daquele projecto que será uma mais-valia para a região.

Defendendo que o nosso País tem de apostar no turismo, explorando aquilo que temos e que outros não têm, “cultura única, mar e sol”, Ribau Esteves frisou que devemos apostar em grandes projectos. “Nós temos um de 150 milhões de euros para este concelho e temos dinheiro para o fazer”, disse. Mas ainda se insurgiu contra a ideia de que as grandes obras se desenvolvam só no Porto, em Lisboa e no Algarve.

Ao comentar a posição do secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins, que reprovou o projecto da Marina da Barra, o autarca ilhavense considerou que os pressupostos em que o governante se apoia “são perfeitamente discu-tíveis e nalguns aspectos bizarros”.

Não excluindo a hipótese de reformular o projecto deste grande empreendimento para a região, o edil admitiu que não considera a decisão do secretário de Estado como uma derrota política porque, como cidadão e como político, “vive a vida ganhando e perdendo”. Em sua opinião, isto não passou de um “percalço”.

Ribau Esteves garantiu que a Câmara de Ílhavo continuará a lutar para que esta obra se torne realidade, apoiando com determinação a APA – Administração do Porto de Aveiro e da Sociedade para o Desenvolvimento da Marina da Barra, esta última entidade com contrato assinado, “juridicamente válido”, com o Estado, em Janeiro de 2000. E para não dar trunfos aos que procuram “minar o terreno”, pondo em causa questões que não têm nada a ver com o projecto, o autarca anunciou “um certo recato” na gestão deste assunto. “Não vamos dizer o que vamos fazer, onde é que está o processo, com quem estamos a conversar, que diligências vamos fazer”, disse.

Obras para o futuro

Sublinhando que na Câmara de Ílhavo se vive uma dinâmica de mudança que está determinada a continuar, Ribau Esteves afirmou que as infra-estruturas e os investimentos levados a cabo “permitiram elevar em todos os aspectos a qualidade de vida da população do concelho e daqueles que nos visitam”.

Para os próximos tempos, as apostas referem obras de grande dimensão física e financeira, um pouco por toda a área concelhia. Assim, o saneamento básico, a rede viária estruturante, o Parque Municipal de Desporto e Lazer, a Biblioteca Municipal e o Centro Cultural de Ílhavo vão tornar-se realidades.

Na Gafanha da Nazaré, o Mercado Municipal, a requalificação do Jardim Oudinot e o Parque da Meia Laranja da Barra estão no horizonte imediato da autarquia, enquanto a Gafanha da Encarnação vai ver qualificada a zona da “Bruxa”, bem como a área urbana e ambiental da Costa Nova. A Gafanha do Carmo terá o Centro de Dia e Lar da Terceira Idade.

Entretanto, a autarquia anuncia que pretende aprofundar a política de parcerias que sejam mobilizadoras e geradoras de sinergias, nomeadamente com o Governo e os seus vários departamentos, com as associações e empresas, com a Universidade de Aveiro e outras, com a Administração do Porto de Aveiro, mas também com os cidadãos do concelho e com todos quantos seja possível mobilizar para a implementação de investimentos.

Segundo Ribau Esteves, a autarquia ainda quer requalificar a zona da Vista Alegre, com a participação da empresa do mesmo nome, tal como pretende autorizar o empreendimento turístico da Quinta da Boavista.

A autarquia prosseguirá, nos próximos anos, com acções ligadas ao ambiente, sem deixar de celebrar acontecimentos diversos. Nessa linha estão as comemorações do Feriado Municipal, as Marchas Sanjoaninas, a Semana Ílhavo Jovem e concertos de música.

Por outro lado, em 2004 haverá a revisão do Plano Director Municipal, acções no âmbito de geminações e a participação na Bolsa de Turismo de Lisboa, a realizar ainda neste mês de Janeiro.