Uns chinelos!

Olho de Lince O acidente deixa, como é natural, os intervenientes em confusão. Nessas circunstâncias, acontecem coisas que só mais tarde se reflectem. E foi o que sucedeu.

A senhora, na precipitação da saída do carro, deixara ficar os chinelos. Apercebeu-se, quando sentiu frio nos pés. E manifestou que o sentia. Logo ali apareceram, sem dar conta da sua origem, uns chinelos de homem, que não hesitou em aproveitar.

Algum tempo depois, o mistério esclareceu-se: fora um jovem, melhor dito, adolescente, que ficara descalço, para obviar carinhosamente à necessidade da sinistrada. Um jovem cheio de vida e qualidades, um jovem fogoso como qualquer um daqueles que têm “o sangue na guelra”. Um jovem que, sobretudo, tem um coração onde germinam valores e sentimentos, onde se cultiva a humanidade iluminada pelo Evangelho. Um jovem como há muitos, felizmente, para contrariar a civilização do egoísmo e semear a civilização do amor!