Editorial 1 – São muitos os que enchem a boca com este chavão: “As crianças são o melhor do mundo.” Para, de seguida e em muitas circunstâncias, lhes negarem a vida, lhes cercearem os voos, lhes fecharem as portas do futuro. Mesmo quando se empenham em causas pró-infantis, que, analisadas as coisas, redundam em profundo prejuízo, irremediável atropelo dos mais elementares direitos dos eleitos.
2 – Fixemo-nos, por exemplo e para começar, no direito inviolável à vida. Muitos dos activistas dos direitos da criança são os mesmos activistas pró-aborto. Como se fosse possível apreciar flores coloridas, frescas e bem cheirosas, no jardim onde fizeram o corte de todos os botões que lhes pareciam fora do lugar ou com alguma imperfeição de forma. Foi tal o zelo, que ficarão eternamente à espera de anos sucessivos, em que tudo nasça segundo os seus desejos.
3 – Passemos à área da educação, onde agora a atitude é diametralmente oposta. As plantas não precisam de poda, as flores não precisam de suportes, de desfolagem, de borrifadela, para crescerem e se desenvolverem com normalidade, para se enquadrarem harmoniosamente… Como se a floresta virgem fosse a anarquia ou o jardim selvagem fosse o silvado! A falta de quadros de valores e princípios, integradores dos saberes que se vão adquirindo, dispensam-se. Ou, mais grave: substituem-se por caprichos de ocasião, por pseudo-libertações de tabus, como é o caso de uns ditos “programas de educação sexual”.
4 – É, mais uma vez, o resultado de uma tendência totalitária da educação estatal, que se arroga o direito de tomar conta dos filhos dos cidadãos, lhes impor os seus preconceitos, considerando as famílias subdesenvolvidas e incapazes de valores e critérios educativos. Ou será a esperteza dos filhos das trevas que, aproveitando o peso corporativista de sectores da educação, se autoproclama a iluminação necessária e irrompe pela privacidade das pessoas e pela intimidade das famílias em novas campanhas de dinamização cultural!
5 – Seja como for, estamos num Estado de Direito, que, apesar disso, é réu impune da violação de direitos fundamentais da pessoa humana, pretendendo dispor do direito primário da vida e negando a liberdade de ensinar e de aprender, em nome do progresso. A educação não pode ser o tabu, é certo; muito menos poderá ser o despudor. Reconhecer, por exemplo, a diversidade de “orientações” sexuais, e educar para o respeito pelos outros, não significa promover a perversão da normalidade dessas orientações, padronizando comportamentos “não naturais” ou estimulando fora de tempo exercício empobrecido da sexualidade. De qualquer modo, nunca as famílias poderão ficar na periferia da escola!
