Na Murtosa, laguna aveirense não é esquecida

Amigos da Ria e do Moliceiro apostam na formação

de pescadoras

A Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro não entende as razões que levam as autarquias e outras instituições a deixarem os barcos moliceiros parados e em acelerada degradação.

Convidado do programa “Nos Caminhos da Região” da Rádio Terra Nova, Manuel Oliveira, presidente daquela associação sediada em Pardelhas, Murtosa, espera que as escolas sejam chamadas a conhecer as riquezas da Ria o mais depressa possível. Diz mesmo que é a única forma de acabar com o estado de abandono e de esquecimento a que ela chegou.

“Há coisas que não conseguimos compreender: há barcos que não navegam e jovens que não conhecem a Ria”, frisou, tendo sublinhado que o futuro passa pelas escolas, sendo, por isso, urgente apostar na educação da nossa juventude.

Enquanto as comunidades educativas ligadas à laguna aveirense, a todos os níveis, não se mostrarem empenhadas em divulgar as suas potencialidades, o estaleiro da associação, que está a ser dinamizado, vai construindo e renovando barcos moliceiros, num ambiente enriquecedor para todos quantos se envolvem nessas tarefas de artesanato puro.

“O nosso estaleiro foi um dos sonhos mais queridos da Associação dos Amigos da Ria e do Moliceiro”, garantiu Manuel Oliveira, que acrescentou: “Temos tido dos mais brilhantes mestres e neste momento há uma geração de jovens que procura afirmar-se no mercado da construção naval.”

Salientou que o estaleiro da associação é o único no País que se preocupa com a construção e reparação de barcos moliceiros, estando, no momento, a recuperar um que foi adquirido há anos pela Câmara de Aveiro e que estava bastante degradado, fundamentalmente por falta de uso.

Presentemente, a Forpescas está a dar formação profissional ao maior grupo de mulheres pescadoras de Portugal, o que não deixa de ser uma curiosidade, apesar de se tratar de uma região onde os homens não estão sós nas fainas lagunares.

A formação que está a ser dada a mulheres do concelho da Murtosa incide, essencialmente, nas temáticas ligadas ao exercício da profissão de pescadoras, sem descurar a sensibilização ambiental, no sentido de um maior respeito pela Ria de Aveiro. No fundo, esta formação aposta em legalizar a situação de mulheres que desenvolvem diversos tarefas na laguna aveirense.

Aquela Associação privilegia, ainda, a formação de jovens da ambos os sexos para a prática dos desportos aquáticos, numa tentativa meritória de valorizar a riqueza ambiental da Ria de Aveiro.

F.M.