Mais de duzentos mártires em 2003

Relatório sobre a liberdade religiosa no mundo “Impressionou-me a negação sistemática em termos de liberdade política e desconfiança absoluta na Coreia do Norte, as ambiguidades na China, o receio de dar voz à Igreja Católica na América Latina, os contrastes em Cuba, onde se limita a fé religiosa, que é considerada como uma força imperialista”, afirmou D. Januário Torgal Ferreira, bispo da Forças Armadas e Segurança, durante a apresentação do relatório sobre a liberdade religiosa no mundo, em Lisboa, no dia 30 de Setembro.

Há muitos países onde ainda é difícil ser cristão. Em 2003, “morreram mais de duas centenas de mártires e confessores da fé”, destacou Paulo Bernardino, presidente do conselho de administração da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. O relatório elaborado pela secretariado italiano da instituição refere-se à liberdade religiosa em geral – dados de 2003 –, e não apenas dos católicos. Na apresentação estiverem presentes vários responsáveis de outras confissões cristãs e religiões, e foi reafirmada a necessidade de diálogo inter-religioso e intercultural como a única forma de ultrapassar estes problemas. Sobre a conivência de algumas religiões com o Estado na perseguição a fiéis de outras, D. Januário afirmou que “onde houver um verdadeiro sentido religioso, há liberdade, pois a liberdade religiosa é uma força civilizadora”. A Ásia é o continente com mais violações da liberdade religiosa. Quanto à Europa, o relatório refere a legislação restritiva para a acção missionária na Bulgária, a repressão de minorias religiosas na Bielorrúsia, e a proibição de usar símbolos religiosos em lugar públicos em França. Saúdam-se os pequenos progressos na aproximação entre a Santa Sé e o Patriarcado de Moscovo (ortodoxos), na Rússia.

Análise aconfessional

e independente

O “Relatório 2004 – Liberdade Religiosa no Mundo” foi elaborado pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) com base em estudos e análises de especialistas religiosos, em informação recolhida junto de agências internacionais e em depoimentos de organizações de defesa dos direitos humanos. São analisados cerca de 60 países, no que diz respeito a direitos constitucionais e à legislação em matéria religiosa, e são relatados casos concretos de violações da liberdade de culto. Desde há cinco anos que a AIS publica este relatório. Este ano, pela primeira vez, é publicado em português.

A AIS, organização dependente da Santa Sé, foi criada em 1947 pelo padre Werenfried van Straaten, inspirado na mensagem de Fátima, para apoiar projectos pastorais em países onde a Igreja Católica está em dificuldades. Os primeiros beneficiários da AIS foram os cristãos que fugiam da perseguição comunista na Europa do Leste. Actualmente, AIS é um apoio para cristãos em 150 nações.