A análise da liberdade religiosa nos 60 países refere-se a todas as religiões, cultos e seitas, e não apenas ao catolicismo. Mas é esta a religião que mais perseguição sofre pelo mundo. Aqui ficam alguns casos e histórias, referentes a 2003.
Cuba – No dia 23 de Março, a Comissão Episcopal Justiça e Paz denunciou a detenção de quase oitenta dissidentes acusados de “conspirar” com os Estados Unidos. A maioria deles era coordenador provincial do projecto-Varela, como sublinhou Oswaldo Payá Sardinas, responsável do Movimento Cristão Libertação.
Em Agosto, funcionários do regime cubano prenderam os membros de uma organização religiosa que anunciavam dias de oração pelos dissidentes presos.
Em Setembro, a polícia política cubana e um grupo de paramilitares impediu violentamente o acesso de um grupo de dissidentes católicos ao santuário mariano de Nossa Senhora de la Caridad del Cobre, padroeira de Cuba.
Estados Unidos – Michigan, Washington, Nova Iorque, Nova Jersey, Lousiana, Oregon, Alabama, Missouri, South Carolina, Winsconsin e South Dakota são os 11 Estados que até agora recusaram a atribuição de bolsas de estudo a estudantes de teologia.
Venezuela – A atitude do presidente Hugo Chávez provocou a reacção do episcopado católico. A Conferência Episcopal considerou uma “ameaça” a carta que o Presidente e chefe do Governo, Hugo Chávez, enviou aos bispos a pedir-lhes que deixassem de falar de assuntos relativos à crise política do País.
Em Maio, o arcebispo Porras acusou o Governo de tentar destruir a credibilidade da Igreja Católica inventando escândalos que têm como alvo sacerdotes e bispos. O prelado descreveu ainda toda uma série de assaltos contra igrejas, catedrais, residências de sacerdotes, que à primeira vista parecem servir para espalhar o pânico e não para roubar objectos de valor.
Arábia Saudita – Embora tenha havido progressos, continuam a ser frequentes as invocações feitas nas mesquitas contra os cristãos e os judeus por imãs, entre os quais os da grande mesquita de Meca e do mausoléu do profeta em Medina.
A agência “AsiaNews” refere que a imprensa saudita atribuiu ao príncipe Sultan – que, no entanto influenciou a libertação de dois egípcios cristãos – a seguinte declaração: “Nós dizemos aos cristãos: dentro de vossa casa, vocês e as vossas famílias adoram quem quiserem. Mas aqui na Arábia Saudita nunca houve nem haverá uma igreja”.
China – Houve medidas restritivas e detenções de bispos, sacerdotes e seminaristas da Igreja não oficial. As detenções acontecem periodicamente, às vezes durante alguns meses. Os meses de detenção são cheios de sessões de doutrina e tentativas de os convencer a inscreverem-se na Associação Patriótica dos Católicos Chineses. Também há notícia de prisões de padres e seminaristas da Igreja clandestina (fiel a Roma).
Desde o início de Julho, o “site” internet da diocese de Hong Kong, muito visitado pelos católicos chineses, deixou de estar acessível na China.
Coreia do Norte – Calcula-se que – desde que foi instaurado o regime comunista em 1953 – terão desaparecido cerca de 300 mil cristãos. Já não existem sacerdotes nem freiras, talvez assassinados durante as perseguições. Actualmente há cerca de 100 mil pessoas nos campos de trabalho a passar fome e vítimas de torturas que frequentemente levam à morte. Pelo simples facto de serem crentes, de lerem a Bíblia ou falarem de Deus, os cristãos “subterrâneos” são agredidos, torturados, presos, mortos. Alguns contaram que, por vezes, estes são usados como cobaias em experiências para guerras biológicas.
Índia – Em muitos Estados controlados pelos aliados fundamentalistas do partido BJP, mas sobretudo nos de Gujarat e Tamil Nadu, sucederam-se recenseamentos levados a cabo pelas secções locais do Criminal Investigation Department, que se destinam a “caçar” os católicos residentes nas várias regiões.
Israel – As Igrejas locais receiam que a recusa de vistos possa vir a ameaçar a sobrevivência das instituições cristãs na Terra Santa. As igrejas católicas tinham registado, durante o mês de Março, 86 casos de vistos recusados a 36 sacerdotes e a 50 religiosas da Igreja Católica, pertencentes a 13 nacionalidades diferentes.
J.P.F./Ecclesia
