Direitos Humanos Mais uma vez chegamos ao mês de Outubro. Na Igreja, a nível mundial, este mês é dedicado à reflexão (e oração/acção) missionária. No pre-sente ano, em Portugal, os IMAG – Institutos Missio-nários Ad Gentes, convidam-nos a fazer a nossa reflexão numa perspectiva eminentemente libertadora, por isso o slogan deste mês Missionário 2004 é: “Eu ouvi o grito do meu povo” (Ex. 3,7). Foi o grito do povo pobre de Israel, escravo no rico Egipto dos privilegiados. Um grito que continua a fazer-se escutar mas que nós, no nosso comodismo continental, várias vezes fingimos que não ouvimos.
Deus libertou o Seu povo da opressão do Egipto; porém hoje a opressão continua e tem outros nomes, outras formas. Chama-se materialismo, intolerância, discriminação, fome, exploração, guerra, mas também, corrupção, SIDA, dívida externa dos países pobres, globalização neoliberal… E essas opressões, outrora distantes, estão mesmo aí ao nosso lado: no seio da velha Europa.
É sobre tudo isto que os missionários nos convidam a meditar. E, se esta coluna tem por finalidade alertar para a urgência do conhecimento e respeito pelos direitos humanos, então é justo que faça, neste mês, uma referência ao trabalho de todos os que, além (e aquém) fronteiras, trabalham na vanguarda construindo a esperança.
São homens e mulheres que, além de merecerem o nosso respeito e admiração, devem ser, igualmente, referências e modelos para todos quantos pretendem encarnar a proposta de Jesus no dia-a-dia. Independentemente do lugar ou do contexto em que estejamos inseridos.
O preconceito considera que os evangelizadores Ad Gentes só podem ajudar-nos a entender o grito do chamado (erradamente) 3º mundo. Contudo, ainda em Setembro passado, foram esses mesmos missionários que nos levaram a pensar sobre “A Missão e a Europa do Futuro”.
Nas Jornadas Missionárias 2004, realizadas em Fátima, o conhecimento e a experiência dos evangelizadores além-fronteiras foram um precioso contributo para que nós, europeus, tomássemos consciência dos desafios que o novo milénio nos coloca. Das novas realidades urbanas às migrações, dos recentes desafios religiosos à indiferença da nova “incredulidade”, de tudo um pouco se falou nas Jornadas. Sinal de que o diálogo ecuménico e inter-religioso, a experiência da evangelização inculturada, bem como da assistência aos deslocados – realidades tão bem conhecidas dos missionários Ad Gentes! – são uma ajuda essencial à construção de uma nova Europa, onde os habitantes (cada vez mais!) também clamam por paz e justiça, respeito e dignidade.
Conhecedores na primeira linha de situações que, ainda há bem pouco tempo, achávamos longínquas, os missionários sabem que os novos desafios à Evangelização passam pela denúncia do velho mundo e pelo anúncio de um Outro Mundo – um Novo Mundo. Para eles a nossa partilha e a nossa oração! Com eles a nossa admiração fraterna e o nosso compromisso solidário!
