Estamos em pleno “Outubro missionário”. O Dia Mundial das Missões, no penúltimo domingo deste mês, costuma mobilizar as comunidades cristãs para a solidariedade com aqueles que fazem a missão ad gentes e os seus destinatários, normalmente carenciados de tudo.
Por outro lado, com o Congresso Eucarístico Internacional, a convite do Santo Padre, iniciámos o Ano da Eucaristia, que nos levará, até Outubro do próximo ano, a multiplicar esforços e iniciativas que proporcionem ao Povo de Deus uma consciência acrescida e uma vivência mais profunda do sacramento que a Igreja faz e que faz a Igreja.
1. Uma vez que toda a Igreja é missionária e que a evangelização é um dever fundamental do Povo de Deus (AG 35), a regra seria, por coerência com a condição de baptizados e de discípulos (AG 36, que qualquer cristão se pusesse a si próprio o problema de ser chamado a testemunhar o Evangelho perante os povos. Ao contrário, quase se apresenta como acto heróico e de mera decisão pessoal assumir, com coragem a missão ad gentes.
2. A Eucaristia supõe a Comunidade e gera e educa para a comunhão. Precisamente para capacitar os fiéis, na sua dimensão de comunidade, paroquial ou diocesana, para este testemunho diante dos povos – que é pessoal, que é comunitário. E convenhamos que, normalmente, transpomos as portas das nossas igrejas, para celebrar a Eucaristia, num movimento para dentro, que, quando muito, circularmente estabelece alguma relação, em Cristo, com os que ali estão.
3. Esta é todavia, uma visão atrofiada da Eucaristia. Com efeito, “unindo-se, a Cristo, o povo da nova aliança não se fecha em si mesmo; pelo contrário, torna-se ‘sacramento’ para a Humanidade, sinal e instrumento da salvação realizada por Cristo, luz do mundo e sal da terra para a redenção de todos. (…) Por isso, a Igreja tira a força espiritual de que necessita para levar a cabo a sua missão da perpetuação do sacrifício da cruz na Eucaristia e da comunhão do Corpo e Sangue de Cristo. Deste modo, a Eucaristia apresenta-se como fonte e simultaneamente vértice de toda a evangelização, porque o seu fim é a comunhão dos homens com Cristo e, nele, com o Pai e com o Espírito Santo.” (IE 22).
4. Eis por que não poderá tornar-se excepção a ousadia da missão ad gentes. Celebrar a Eucaristia há-de projectar toda a comunidade para a missão, tendo como consequência a abundância de disponíveis para o trabalho missionário. “A graça da renovação não pode crescer nas comunidades, se cada uma não procurar expandir o âmbito da caridade até às extremidades da terra”… (AG 37).
Assim, um ano da Eucaristia e um Outubro missionário não poderão ter outro objectivo que não seja espevitar a coerência da vida cristã, nas pessoas e nas comunidades, para que se torne regra o que, muitas vezes, se vive como excepção.
