FIDELIDADE…às origens e ao presente!

Com este número, vamos iniciar um memorável jubileu do Correio do Vouga – as Bodas de Diamante. Precisamente quando este semanário está em processo de mudança. O leitor terá notado que, com a substituição de Direcção, se têm, pouco a pouco, alterado: paginação, grafismo, conteúdos.

Simultaneamente, desencadeou-se uma estratégia de consulta: os leitores são instados a pronunciarem-se, com críticas e sugestões, com solicitações de informação e formação; o clero da Diocese foi interpelado, a fim de que o Conselho Presbiteral emitisse opiniões significantes, em função de uma metamorfose consistente; o Conselho Pastoral vai fazer a mesma reflexão crítica, por estes dias, para que estejam sobre a mesa as sensibilidades possíveis. Queremos que o 75.º aniversário venha a coroar um ano de esforço traduzido numa alteração substancial, que faça do Correio do Vouga um Semanário de HOJE, mantendo o rumo traçado pelas ORIGENS.

1 – É isso: estamos apostados na refontalização, sempre refrescante e propulsora. E as fontes, que buscámos, no editorial do Ano I, n.º 1, de 16 de Novembro de 1930, não poderão ser mais claras.

Aí escreveu o saudoso António Christo: O Correio do Vouga é um jornal católico. E explana seguidamente o que isto quer dizer: Só a Deus obedece inteiramente, porque só Ele é o Mestre… Curvado, de joelhos, só diante de Deus! Obediente a quem tem a missão de guiar a Igreja – o Papa e o Bispo da Diocese – e a quem cabe o serviço, na comunhão eclesial, de ouvir piamente, guardar santamente e expor fielmente a verdade da Palavra Revelada.

Diante dos homens, sempre de pé! Ou seja, com a isenção e reserva de liberdade, que nunca o submetam à milícia do Rei ou aos exércitos do Presidente, isto é, que nunca o tornem servil lacaio do poder. Nesse sentido, em política, sempre português, como agora europeu e cidadão do mundo.

2 – O Correio do Vouga respeita o vocabulário e não tem medo das palavras: afirma-se regionalista. E António Christo prossegue, para que fique claro o que isso implica. Deseja ardentemente o progresso material e moral desta terra encantadora; patrocina as suas melhores aspirações; combate valorosamente pelos seus legítimos interesses. (…) Ambiciona a união de todos os valores reais para o bem comum, e venda os olhos, como a Justiça, para não ver se a alguém agrada ou desagrada na defesa de quanto for útil.

Eis a clara explicitação do que seja permanecer sempre de pé diante dos homens. A liberdade não será nunca a neutralidade. Será, antes, a afirmação convicta do que possa, como espada de dois gumes, extirpar quanto macule a dignidade pessoal e contamine de podridão a sociedade.

Dizia, a finalizar, António Christo: Está traçado o caminho que há-de seguir o audaz cavaleiro do supremo ideal. Por nós, estamos convictos de que não precisamos de outros rumos, para sermos fiéis ao presente. Precisamos do contributo de todos, a fim de encontrarmos os caminhos que concretizem esses ideaisdas origens.