Opinião O Estado da Palestina é irreversível. Isso deve-se a Yasser Arafat. Porém, se até certa altura Arafat foi fundamental para unir o povo palestiniano e despertar a consciência internacional para o direito à independência, nos últimos anos já todos esperavam que Arafat se retirasse para a questão palestiniana poder ser resolvida. Com o “não” em Campo David (conversações em 2000, entre Arafat e Barak, de Israel, mediadas por Bill Clinton), Arafat tornava-se parte do problema. Acresce que, chegado ao poder da Autoridade Palestiniana por eleições populares, em 1996, não dava qualquer sinal de o deixar (só por pressão internacional aceitou um primeiro-ministro) e controlava as finanças e a economia dos palestinianos, acumulando uma imensa fortuna no meio de um povo pobre.
Excluindo o pessimismo de alguns comentadores habituais (Vasco Pulido Valente afirmava no Público que “infelizmente este problema não tem solução. A guerra entre Israel e o mundo árabe vai continuar indefinidamente, qualquer que seja a forma que tomar”), abre-se uma janela de esperança para o povo da Palestina. A Europa e os Estados Unidos podem aproveitar este tempo para influenciar a formação de um governo democrático (ou seja, que comece, mas também acabe, com eleições livres). E já há líderes palestinianos a apontar o dia 9 de Janeiro 2005 como limite para novas eleições (coisa a que Arafat não se queria submeter).
Será possível, finalmente, a Paz na terra das três religiões (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo)? A Europa – mais simpática para os palestinianos – acha que os conflitos do Médio Oriente (incluindo o do Iraque) só serão resolvidos com um Estado Palestiniano (“A estrada de Bagdad passa por Jerusalém”).
Os Estados Unidos – maior aliado de Israel – pensam o contrário: primeiro é preciso secar as fontes do terrorismo; e a seguir resolve-se o conflito Israel/Palestina (“A estrada de Jerusalém passa por Bagdad”). Mas ambos vêem na morte de Arafat uma oportunidade de avanço na solução do conflito que Tony Blair, primeiro ministro britânico, afirma ser “a prioridade mais urgente a nível internacional”. George W. Bush, por seu lado, já veio dizer que admite um Estado palestiniano “verdadeiramente livre” em quatro anos. Será desta, Palestina?
J.P.F.
