Morte de Arafat João Paulo II implora paz para uma Terra Santa na qual vivam “reconciliados” dois Estados soberanos, na mensagem de pêsames que enviou na quinta-feira, ao receber a notícia da morte de Yasser Arafat. “Nesta hora de tristeza”, o Santo Padre afirma, no telegrama, que se sente “particularmente pró-ximo da família do falecido, das autoridades e do povo palestino”, e “põe a alma” do líder “nas mãos de Deus Omnipotente e Misericordioso”.
A carta escrita em inglês foi enviada em seu nome pelo cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado, a Rawhi Fatthou, presidente do parlamento palestiniano.
No texto, o Papa dirige-se “ao Príncipe da Paz, para que a estrela da harmonia brilhe logo na Terra Santa e para que os povos que ali moram possa viver reconciliados entre si como dois Estados independentes e soberanos”.
Pouco depois do anúncio da notícia do falecimento do líder palestino, na madrugada de quinta-feira, Joaquín Navarro-Valls, porta-voz da Santa Sé, publicou um comunicado em que recorda Arafat como “um líder de grande carisma, que amou seu povo e tentou guiá-lo para a independência nacional”.
“Que Deus acolha na sua misericórdia a alma do ilustre falecido e conceda a paz à Terra Santa, com dois Estados independentes e soberanos, plenamente reconciliados en-tre si!”, desejou o porta-voz da Santa Sé.
João Paulo II e Yasser Arafat encontraram-se em 12 ocasiões durante os 26 anos de pontificado: a primeira, em 15 de Setembro de 1982, e a última, em 30 de Outubro de 2001. O líder palestino e o Santo Padre encontraram-se também em Belém, durante a peregrinação do Papa à Terra Santa em Março de 2000.
Sinos tocaram por Arafat na Terra Santa
Os sinos das igrejas da Terra Santa tocaram em memória de Yasser Arafat durante a cerimónia de sepultura do líder palestiniano na Mu-qata de Ramallah.
O patriarca de Jerusalém, D. Michel Sabbah, exprimiu as suas condolências e a sua solidariedade para com o povo palestiniano, antes de partir para o Cairo, onde chefiou uma delegação cristã composta pelos arcebispos anglicano e luterano de Jerusalém.
Solidariedade dos bispos franceses e ingleses
As conferências episcopais da Inglaterra e da França (os dois países europeus que mais responsabilidade têm nos conflitos do Médio Oriente, devido à partilha entre as duas potências após o fim do império Otomano) manifestaram solidariedade para com os povos da Palestina e de Israel. “Na morte de Yasser Arafat, líder histórico do povo palestiniano, o nosso pensamento vai para o futuro desse povo, para as suas aspirações e sofrimentos”, refere um comunicado dos bispos franceses. “Rezamos para que no coração dos povos da Terra Santa surjam responsáveis que tenham a coragem política de conduzir o seu povo para a paz, uma paz na justiça, na reconciliação dos espíritos e dos corações”, afirmam os franceses.
A Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales formulou votos de que o sucessor de Arafat “seja capaz de prosseguir os acordos para a justiça, paz e reconciliação”.
* com Agência Ecclesia
