Unificação de todos os momentos

A Eucaristia no meu coração Experiência profunda de Fé no Deus connosco.

Memória de Deus feito carne, como um de nós.

“Chegado” à nossa medida para nos ir levando à Sua Medida.

Realidade existencial íntima, acção de graças, louvor permanente.

Insondável mistério este da presença de Deus connosco, Vivo, actuante na pobreza que somos. Nada pede em troca, apenas que Lhe demos espaço para continuar a tornar-Se visível, sensível, próximo, comungante.

Ele, o “Comungante” da natureza humana, a convidar à comunhão da Sua divindade e a partilhar a capacidade única de amar.

Ele, que é o “Eu sou”, quer ouvir dizer, a partir de nós, o “sou Tu”, “eu vivo em Ti, de Ti para todos”.

Tornou-se difícil dizer: vou á missa, vou á comunhão, vou fazer a primeira comunhão, a segunda… etc.; quase impossível distanciar, separar um momento de outros tantos momentos da vida. É verdade que há momentos e Momentos; para nós é assim, nos limites da nossa visão. Para Deus, há apenas o Momento Eterno de Ser, de ser em nós, sem tempo. Considerando os limites onde chega a nossa capacidade de ver, medir, dividir, posso compreender a separação referida. Tudo tem o seu tempo, o seu lugar, a sua hora. Sinto antes uma necessidade de unificação de “todos os momentos” em que nada tem sentido fora desta presença actuante. Tudo ganha sentido na medida sem medida, da entrega silenciosa em que só Ele é o Mestre, o Rei, o Senhor, o Próximo, o que Se oferece e nos ressuscita em cada tempo.

O tempo chamado da Eucaristia, do “fazei isto em memória de Mim”, também só ganha o sentido profundo, verdadeiro, se continuado em permanente vitalidade no quotidiano. Nunca será o momento que, automaticamente, me põe em movimento a partir d’Ele para todos. Talvez seja, sim, o momento de, em Assembleia de Fé, em Comunidade de Crentes, proclamar bem alto: aqui estamos, nós Te louvamos, Te damos graças por, em todos os tempos, Te ofereceres como o Alimento das nossas vidas.

Ir. Maria do Céu Quinteiro