Conselho Diocesano de Pastoral discute Correio do Vouga e casos de baptismo de crianças

O Conselho Diocesano de Pastoral (CDP), reunido no Seminário de Aveiro, na sexta-feira, debateu a situação do Correio do Vouga e a questão dos baptismos de crianças com os pais a viver em união de facto ou em casamento civil. Sobre a primeira questão, o conselho, constituído por leigos/as, sacerdotes e consagradas, saudou algumas mudanças que se vêm sentindo no jornal, mas sublinhou que estas têm de ser mais profundas. Em especial foi realçada a necessidade de um novo grafismo, do aumento do número de assinantes, da atenção ao que de significativo vai acontecendo na sociedade e da transmissão de uma imagem eclesial aberta, inclusiva, renovada e de comunhão. Uns conselheiros afirmaram que o jornal devia trazer artigos mais pequenos, outros, que deviam ser de fundo e não tão pressionados pela actualidade. Uns defendem que deve ser mais informativo, outros acham que na formação é que deverá residir a personalidade de um jornal diocesano. Uns consideraram que o jornal devia estar mais atento à realidade regional, outros que na realidade eclesial é que está a sua identidade.

Representando grupos ou em nome individual, os conselheiros transmitiram opiniões, por vezes contraditó-rias, reflectindo várias sensibilidades, mas que agora D. António Marcelino e a equipa do jornal deverão avaliar para pôr em prática. Um dos conselheiros sugeriu: “Vem aí o Natal. Se não é assinante, ofereça uma prenda a si mesmo. Se já é, ofereça uma assinatura a uma pessoa amiga”.

“Baptismos difíceis”

Cresce o número de pais que chegam aos serviços paroquiais com o desejo de baptizar o filho, mas estão em união de facto ou são casados apenas pelo civil. Este foi o ponto de partida para o segundo tema da noite. D. António reafirmou que o Baptismo não pode ser negado a ninguém. No entanto, as motivações para baptizar as crianças nem sempre são as mais válidas e a família muitas vezes não oferece condições de educação cristã das crianças. Aconselha-se, por isso, o adiamento do baptismo para a idade escolar e o acompanhamento dos progenitores – o que nem sempre é bem aceite pelos pais, levando-os, por exemplo, a procurar outra paróquia com diferente prática, a ameaçar sair da Igreja Católica ou simplesmente a esquecer o baptismo. Foi nesta nebulosa de questões, de um tempo em que, nas palavras do bispo de Aveiro, “há um lastro de tradição, mas a adesão religiosa é outra coisa”, que os conselheiros afirmaram a necessidade de uma prática pastoral acolhedora (“a Igreja é mãe”) mas coerente em todas as paróquias da diocese e realçaram, por exemplo, o papel dos avós como novos garantes da educação cristã das crianças. Pode ser esse um dos novos caminhos para uma vivência significativa do sacramento da filiação divina e da entrada na comunidade cristã.

Ambos os assuntos, já analisados em conselho presbiteral – órgão composto exclusivamente por sacerdotes – foram agora enriquecidos com outras sensibilidades.