Semear a esperança!

É uma atitude que atravessa os séculos da história da humanidade: a permanente expectativa de dias melhores, de um “reino” de prosperidade e de paz. A humanidade vive em constante advento.

Primeiro, foram os tempos longos de esforço religioso e filosófico do homem: em busca da explicação de si próprio, do outro, do mundo, do cosmos; os longos tempos da descoberta das ciências, da organização do pensamento, da busca da estrutura social, das regras da convivência, da organização do trabalho…

Nestes caminhos do homem, cruzaram-se os caminhos de Deus. Para além dos sinais que a Criação patenteava, por sobre as inquietações que o santuário da consciência produzia, derramou-se a luz da iniciativa, por parte de Deus, de convidar a humanidade a entrar em diálogo e comunhão com Ele, a fruir da Sua própria felicidade, oferecida generosa e universalmente.

Foi um longo caminho, de ousada esperança, pelo meio de muitos desânimos e incertezas, insistentemente estimulada pelos profetas, alicerçada na contemplação de uma história significante, também ela de momentos de exaltação e muitos momentos de frustração. Mas a dinâmica de promessa-cumprimento guiou um povo e despertou as nações.

Mas o Dia do Senhor chegou! A semente deste mundo transformado, de estabilidade e de paz, de fraternidade e cooperação, de verdade e transparência…, chegou, com a tenda de Deus erguida entre nós, na pessoa de Jesus Cristo, como plenitude de Luz e de Vida.

E essa é a única certeza capaz de catapultar, cada ano, não apenas os cristãos, mas muitos homens de boa vontade, em adventos de esperança da manifestação total dessa vida nova em germinação. Por entre despojos de muitos conflitos, de muita desagregação familiar e social, de muita desintegração humana… O Homem-Deus, o Emanuel, é a certeza de que não é o caos que vence, mas o Espírito fecundante.

Porque o Natal já aconteceu, de uma vez por todas, é que tem sentido retomar, anualmente, o empenho do Advento, para espevitar a esperança, para entusiasmar na redescoberta da dignidade humana, a própria e a dos outros, para relançar sempre novas tentativas de reconstrução da pessoa humana, para tentar novas formas de união, de integração e de paz! Por entre os destroços das civilizações, o desmoronar das ideologias, dos sistemas políticos e sociais, por entre os restos fumegantes de “antigos” valores, está sempre latente a força dos novos céus e da nova terra.

Cabe, sobretudo aos cristãos, tornar visível, dar corpo, na sua vida e nos seus empenhamentos, à luz que irradia do Presépio de Belém, e que veio “para iluminar todo o homem que vem a este mundo”. O Advento é o cíclico reacender desta expectativa feita esperança, tanto mais premente quanto vivemos um clima de pessimismo fatalista, mais do que isso, uma cultura do “túnel sem saída”, convite por excelência ao fragmentário, imediato, superficial, emocional.

Advento, hoje, é a coragem de “esperar contra toda a esperança”! É a ousadia de falar a linguagem da esperança! É a “loucura” de viver a serenidade; e de impulsionar o gosto pela vida e pela construção do mundo novo!