Espaço para a comunidade participar e crescer

Nova igreja de Stª Eulália, Aguada de Cima Aguada de Cima vai ter uma igreja paroquial nova. Será inaugurada no dia 11 de Dezembro, sábado, numa feliz coincidência entre o dia da padroeira, Santa Eulália (10 de Dezembro), e do dia da restauração da diocese de Aveiro (11 de Dezembro). A Eucaristia de bênção e consagração do altar, presidida por D. António Marcelino, está marcada para as 17h desse sábado. Seguir-se-á um jantar de confraternização nas instalações da Liga dos Amigos de Aguada de Cima.

Em conversa com o Correio do Vouga, o Pe. João Paulo Gandarinho, pároco, falou do templo renovado e não escondeu a satisfação com o trabalho feito: “Desde que vim para cá [há 11 anos], foi preocupação minha e sonho desta gente uma igreja com melhores condições. Agora temos um espaço físico concebido dentro das normas litúrgicas para possibilitar a participação da comunidade. A igreja tem um pé direito baixo, mas ficou com uma luminosidade natural que é um espectáculo. Dá a sensação de que alguém se esqueceu de desligar as luzes”.

As anteriores remodelações tinham sido em 1960 – era pároco António Fragoso, hoje em Estarreja – e 1955, com o Pe Orlando. Nesta primeira remodelação foi retirada muita talha dourada do séc. XVI e peças que, depois de andarem “ao trambolhão”, foram agora reintegradas na nova igreja – é o caso do arco cruzeiro – ou vão constituir o museu que será construído em frente. Com o museu serão erguidas também casas de banho e uma casa mortuária. “Não capela, mas casa mortuária – sublinhou o Pe Gandarinho – para estar aberta aos fiéis da Igreja Metodista e da Assembleia de Deus”, muito presentes na região.

No novo espaço celebrativo destacam-se os três altares de talha dourada. No altar da direita sobressai uma imagem tradicional da Santíssima Trindade (o Pai segura o Filho, na cruz, com o Espírito Santo representado na pomba). No da esquerda está uma imagem de Nossa Senhora segurando uma romã, “provavelmente a imagem mais valiosa”, assegura o Pe Gandarinho. A romã, com os seus grãos vermelhos, tanto simboliza o sangue de Cristo como a Igreja, comunidade dos fiéis.

A Pia Baptismal ganhou um novo espaço. Agora fica à frente da assembleia, do lado esquerdo, com um painel cerâmico representando o baptismo de Jesus por João. Do lado oposto fica o sacrário, num “espaço simples mas convidativo ao recolhimento”.

Da igreja-templo

à igreja-comunidade

Quando o Correio do Vouga visitou a igreja, ainda o interior não tinha bancos nem altar, mas já tudo caminhava a passos largos para a inauguração. O Pe Gandarinho dava instruções a alguns operários. A ansiedade da inauguração começa a sentir-se, mas o pároco de Aguada de Cima, que também é assistente espiritual do Movimento dos Cursilhos de Cristandade, vai isolar-se uns dias antes. É o director espiritual do próximo Cursilho de Senhoras (2 a 5 de Dezembro): “Vai-me fazer bem, porque é um momento de paragem. Vai ser mesmo na altura dos bancos, do altar, das limpezas, dos últimos arranjos…. Mas a S.ta Eulália vai ajudar”.

As obras custaram cerca de 1 milhão de euros (duzentos mil contos). “O que falta pagar não é significativo”, afirma o pároco. As empresas desta região bairradina ofereceram todo o material, enquanto o povo se excedeu em generosidade. Mas agora, depois de concluída a igreja-templo, é necessário continuar a construção da igreja-comunidade. “Sinto que a construção da igreja congregou este povo – afirma o Pe. Gandarinho. Os cortejos de ofertas para as obras foram uma autêntica festa. Gostava era que este povo tão participativo também crescesse como comunidade cristã. É esse o desafio que vai estar presente no dia da inauguração”.

J.P.F.

Ficha da nova igreja

Padroeira: S.ta Euládia

Lotação: 320 lugares sentados

Projecto de remodelação: Arq. Cravo Machado

Empreiteiro: Pedro Cruz (Barrô)

Última remodelação: 1960 – era pároco António Fragoso

Painel cerâmico da Pia Baptismal: Art. José Augusto

Talha dourada do séc. XVI restaurada por Emília e Teresa

Vitrais novos (representando os sacramentos, símbolos eucarísticos e a padroeira): Isabel Ramos (Mangualde)

Custo da obra: Cerca de 1 milhão de euros.