Bispo de Aveiro nas Bodas de Prata do Padre Rocha “Os pais normais dão os filhos normais…. numa linha de normalidade”. Foi esta uma das expressões do nosso Bispo no encontro que manteve com paroquianos da Paróquia da Vera Cruz. Este encontro, subordinado ao tema: “Ser padre. Que perspectivas?” teve lugar na passada segunda-feira, dia 6 e inseriu-se na preparação que a paróquia está a fazer a propósito da celebração dos 25 anos de sacerdócio do pároco, Manuel Joaquim Rocha.
Foi num ambiente animado e acolhedor, apesar do frio que se fazia sentir, que mais de 50 pessoas ouviram, o seu Bispo a traçar aquilo que se poderá chamar a imagem do padre, para depois falar das suas perspectivas.
Começando por uma análise ao momento actual das vocações sacerdotais, o Bispo constata que este mundo é um pouco de contrastes: o número de seminaristas cresce na Índia, na Àfrica e no México e desce na Europa onde estão a aparecer vocações na idade adulta e não tanto, como era costume, desde a infância. Razões para este problema, segundo o prelado, são a cul-tura em que vivemos: cultura do transitório, do descartável, do imediato.
Estas características não encaixam, facilmente na figura do padre, cujas características o Bispo foi apontando: obreiro da paz e da reconciliação; educador das consciências; promotor dos dons de cada um; construtor de comunidades fraternas e abertas; homem de diálogo com o mundo e seus dinamismos; aberto aos jovens e à sua linguagem; companheiro inseparável das famílias e homem do tempo sem nostalgias ocas ou entusiasmos balofos. No fundo, um violento de Deus que não se deixa desanimar pelas críticas ou contagiar pelos elogios.
Mas, terá dito alguém: “Este é o elogio dos padres que não temos!”
“Bem, rematou o Senhor Bispo, temos, embora inacabados porque completo só Deus!”
A partir daqui surgiu um diálogo longo e proveitoso onde as perguntas versaram mais sobre as perspectivas do padre hoje. Depois de um pequeno olhar para a realidade da paróquia da Vera Cruz, o senhor Bispo continuou: “Não podemos ser só consumidores porque a terra onde vivemos não é pior que as outras… E, se não damos a vocação – ela é dom de Deus, – podemos estar atentos e fazer despertá-la.” Hoje, referiu, o grande seminário, já não são as casas e os regimes de internato, mas os grupos de jovens paroquiais empenhados em determinados serviços porque há famílias que o são, outras que o podem ser e outras que nunca o serão. São, pois, concluiu o senhor Bispo, este encontro “… estas novas realidades que motivam e criam não uma nova forma de padre, mas um padre, hoje, à maneira de Jesus Cristo que será sempre objecto de fé.”
