“Cristão e cristã, salta de alegria!”

À Luz da Palavra – 3º Domingo do Advento – Ano A A liturgia deste domingo convida-nos a elevar, com o profeta Isaías, um cântico de jubilosa esperança, de profusa alegria, porque vem o Senhor em pessoa libertar o seu povo. No meio do maior perigo actual que é o desânimo, a desilusão e a tristeza, este terceiro domingo do Advento anuncia-nos a alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto”.

A alegria é a tónica geral da primeira leitura. A razão desta alegria é a restauração, que o próprio Deus traz à nossa história e que afecta a natureza e as pessoas. O profeta Isaías compraz-se em apresentar a imagem de um deserto que se transfigurou em paraíso. Procura, assim, fortalecer a esperança e o júbilo do povo exilado na Babilónia, porque o regresso à terra prometida está iminente. Traça, no texto, a caminhada do povo como uma grande peregrinação festiva a caminho de Jerusalém. A alegria e o júbilo multiplicam-se, porque o próprio Deus é o guia dos peregrinos. Ao olharmos para o nosso tempo descobrimos que ele se nos apresenta ambivalente. Por um lado, estão as grandes descobertas e realizações, um mundo de possibilidades que engrandecem os mais optimistas; e, por outro lado, estão os destroços das pessoas e da natureza, que abatem os pessimistas. Porém, para todos nós este tempo é de desafios e de interpelações. Como cristão e cristã, com que olhos vejo este tempo? Não me posso esquecer de que Deus está connosco e que a sua intervenção gera vida. O Advento é o tempo em que se anuncia e espera esta intervenção salvadora de Deus a nosso favor. Todavia, Ele só transformará as pessoas e as situações, se eu me dispuser a recebê-lo e a colaborar com Ele. Pelo baptismo recebi vocação de profeta e por isso hei-de gritar a esperança e a alegria, como Isaías, contra o desânimo e o imobilismo de tantos. Aceito a proposta libertadora de Deus e testemunho a alegria e a esperança?

O evangelho faz referência ao texto de Isaías, quando refere: “Os cegos vêem, os coxos andam, os surdos ouvem…”. Os sinais que Jesus apresenta como afirmação de que é Ele o Messias Salvador, manifestam a presença activa de Deus, que nos liberta das nossas amarras. Estes sinais salvadores hão-de continuar na nossa história através de nós, discípulos e discípulas de Jesus. Hoje, há muita gente “presa” nas suas limitações espirituais e físicas, pessoais e sociais. Há muita gente “amarrada” no seu egoísmo e violência. Há muita gente “privada” de movimento e de liberdade, esfomeada, analfabeta, marginalizada… Como posso ser eu para esta gente fonte de alegria e de esperança, portador da Boa Nova do amor, da liberdade, da comunhão e da solidariedade?

A segunda leitura convida-nos a não deixar que o desespero nos atinja, enquanto esperamos, com paciência e confiança, a vinda do Senhor. Todos os dias há muitos irmãos e irmãs nossos que fazem a experiência detestável de viver na injustiça, no medo, no sofrimento, à margem da vida… enfim, privados de dignidade. A carta de Tiago quer dizer-lhes: “apesar do sem sentido da vida, apesar do sofrimento, Deus não vos abandonou nem esqueceu, mas vai libertar-vos. Aproxima-se a dia da intervenção salvadora de Deus. Esperai-o, não com o coração cheio de revolta, que vos destrói e que magoa todos aqueles e aquelas que, sem ter culpa nenhuma do que se passa, vivem e caminham a vosso lado, mas com esperança e confiança”. Contudo, se a esperança e a alegria não se podem viver no seio do conformismo e da passividade, também a libertação de Deus não se pode operar em corações revoltados, cheios de ódio e de vingança. É urgente anunciar ao mundo a salvação de Deus através do nosso testemunho. Luto, objectiva e circunstancialmente, para tornar realidade o projecto libertador de Deus e para calar a opressão, a injustiça e tudo o mais que rouba a vida e a dignidade a qualquer homem ou mulher?

Leituras do 3º Domingo do Advento – Ano A

Is 35,1-6a.10; Sl 146 (145); Tg 5,7-10;

Mt 11,2-11