Novos hábitos na comunidade cigana facilitam a integração

Senda Gitana chega ao fim O projecto “Senda Gitana”, que durante quinze meses animou três bairros ciganos de Ervideiros (Quinta do Simão – Esgueira), chegou ao fim. O grande objectivo foi “promover a dignidade humana no seio de uma comunidade que normalmente é muito fechada”, refere José Alves, diácono, presidente da Cáritas Diocesana de Aveiro, entidade que dinamizou o projecto. Contando com apoios como o da Câmara Municipal de Aveiro, do Centro de Saúde e da Segurança Social, “Senda Gitana” ensinou costura e croché, hábitos de higiene e de nutrição, música e informática, para nomear apenas algumas áreas de acção. O coordenador da Cáritas de Aveiro refere que muitos dos novos hábitos, como o do banho, permitiram elevar o nível de “auto-estima de maneira a que as crianças se sentissem melhor na escola”.

Na hora do encerramento oficial, que decorreu a 21 de Dezembro, com um seminário e convívio, muitos ciganos não esconderam a sua satisfação com os resultados alcançados. Sandra Cardoso, diz que “foi a melhor coisa que nos aconteceu”. “Aprendi a pintar tecido, a fazer rissóis e bolos recheados, a coser à máquina “ – refere a cigana do 2º Bairro. “Foi muito bom, porque convivemos com pessoas que não são ciganas e deu para ver que não somos atrasados nem maus. Pudemos mostrar a nossa cultura”, acrescenta. O marido, Nelson Fernandes, que no momento de convívio mostrou que tinha aprendido a tocar viola com o professor Fernando Ferreira (voluntário que durante dois meses deu aulas de flamenco), refere outra competência adquirida graças a este projecto: “Aprendi a mexer no computador, a escrever e a navegar na Internet. Gosto de ir ao ‘site’ da comunidade cigana”.

Embora haja muitos aspectos a melhorar, é vontade geral que a “Senda Gitana” prossiga em 2005. O relatório de Dora Graça, a coordenadora deste projecto da Cáritas, afirma que houve “dificuldade de aplicação de aprendizagens adquiridas face aos recursos (escassos) habitacionais (electricidade, água)” e que nem todos os bairros aderiram com a mesma vontade ao projecto. Mas já é tempo de preparar a candidatura a um novo projecto. Nas palavras de José Alves, será “na mesma zona, na linha deste, mas mais ambicioso e alargado à comunidade não cigana”.

J.P.F.