A propósito das Eleições Legislativas no dia 20 de Fevereiro A Igreja louva e aprecia a actividade daqueles que se dedicam ao bem da coisa pública no serviço dos homens e aceitam o peso de tal cargo. Os deputados estão incluídos neste número. Não tem outra razão de ser a sua existência, que não seja o serviço do bem público. E, por isso, ao confrontarmo-nos com a proximidade de uma escolha, não podemos deixar de nos questionar sobre alguns problemas de fundo.
1. Os partidos
A comunidade política existe por causa do bem co-mum, no qual está a sua plena justificação e sentido e do qual deriva o seu direito originário e próprio.
É plenamente conforme com a natureza humana que se encontrem estruturas jurídico-políticas que ofereçam a todos os cidadãos, sem discriminação alguma e cada vez mais, a possibilidade efectiva de participar livre e activamente…
Os partidos só têm cabi-mento como expressão das sensibilidades diversas ao mesmo bem comum, favorecendo um enriquecimento da comunidade política e estimulando os cidadãos a uma intervenção responsável e consciente na vida social. Perguntamo-nos se os rígidos aparelhos partidários, a sua tendente transformação em presunçosas elites, em plataforma de favores a clientelas ávidas de “subir”… têm em vista o bem comum e favorecem a livre e activa participação.
2. As pessoas
A vida política desenha-se com os grupos, movimentos ou partidos… Todavia, eles tomam rosto nas pessoas que os integram, nos nomes que propõem os valores, projectos e programas, que assumem a responsabilidade de executar.
O perfil dos candidatos, a sua competência, a sua dedicação, as provas dadas de viver o bem comum, o padrão de valores que professam, a sua capacidade de serem críticos no interior das organizações, de se manterem fiéis aos eleitores, não são coisas de somenos importância.
Os cidadãos, por seu lado, quer individualmente quer associados, tenham o cuidado de não atribuir excessivo poder à autoridade pública, nem exijam dela inoportunamente auxílios e vantagens tais, que diminuam a responsabilidade das pessoas, das famílias dos grupos sociais.
Votar não é delegar para se omitir. Os eleitores têm de permanecer vigilantes. O que acontece é que, no sistema em que vivemos, nos escapa qualquer espécie de possibilidade de “pedir contas” que não seja um outro acto eleitoral… E não podemos fazer eleições todos os dias.
3. Os valores
O mundo de hoje está cada vez mais consciente de que a solução dos graves problemas nacionais e internacionais não é apenas uma questão de produção económica ou de uma organização jurídica ou social, mas requer valores ético-religiosos específicos…
Uma democracia sem valores ético-religiosos é o caminho de uma ditadura. Aliás, experimentamo-lo claramente, quando uma institucional mentalidade laica não permite sequer que alguém que ouse confessar os seus valores morais tome lugar em estruturas de gestão do bem comum.
Caso para perguntarmos se o futuro do nosso País se resolve sem devolvermos uma “alma moral” à vida pública, sem acolhermos as visões religiosas do mundo, da pessoa, da vida, como elementos integrantes da construção social.
Votar é um dever! Votar conscientemente é um imperativo! Votar é escolher… O quê? Quem? Que valores?… Será missão impossível?!
Querubim Silva
