Encontro e entrega recíproca

E Eucaristia no meu coração Ao olhar para trás na minha vida, raramente me lembro de um domingo sem ir à eucaristia. Devo-o à educação que recebi, que me orientou para a moral veiculada pela Igreja.

Recordo a minha infância religiosa com a imagem de “um cachorrinho do bom Deus”! Sem questionar porquê, sem sacrifício, e com muita alegria, dirigia-me à igreja e participava na celebração. Nem sempre compreendia bem as leituras, mas pareciam-me conter uma mensagem grandiosa, sobretudo os evangelhos cujo conteúdo era mais semelhante à vida comum. Perante as espécies consagradas, a minha atitude era de profundo respeito! O momento da consagração e da comunhão eram vividos com perplexidade diante de tal mistério que… ninguém me conseguia explicar com um motivo “mais humanamente” compreensível.

Não posso deixar de referir a importância determinante da catequese neste percurso da infância até à adolescência. Foi através desta escola que aprendi os fundamentos da religião, que me foram explicados os comportamentos de Jesus. A catequese transmitiu-me uma mensagem que facilmente integrei no meu modo de ser e de viver! Era com naturalidade que procurava que os conteúdos e princípios transparecessem em cada acção do meu comum dia-a-dia, na escola, com os conhecidos, com os pais.

A religião não constitui um refúgio para as minhas limitações ou desilusões! Também não sinto a minha liberdade paralisada pelo poder de Deus! Admito, sim, que os conhecimentos e a relacção que cultivo com Deus me ajudam a planear e a construir o sentido da minha vida! Pela fé – essa vontade de adesão – creio que o trabalho e a oração se complementam e fazem caminhar no mesmo rumo a vontade de Deus e a do Homem. Por isso, continua a ter sentido um tempo especial – a eucaristia – em que se celebra com adoração e festa este encontro e entrega recíproca entre Deus e o Homem.

Contudo, assisto ao abandono da igreja um pouco por todas as gerações… As críticas são muitas! Ou é porque o padre não cativa, ou os cânticos são velhos, ou a igreja é dogmática… Hoje, é motivo de riso, se dissermos que vamos à eucaristia, muito maior se vamos comungar…

Que se passa? A igreja não responde ao imediatismo e superficialismo crescente da sociedade?

Procuro crer no que leio, ensinar o que creio e viver o que ensino! Isto faz parte de mim de um modo tão natural e consciente que penso que, se se deixasse de celebrar eucaristia, ela continuaria a existir, na sua essência – em contemplação, em celebração da existência, sobretudo na práxis comprometida do dia-a-dia, com tudo o ela contiver! Não poderia ser de outra maneira!!…

Magda Freitas, estudante de enfermagem