3º Domingo do Tempo Comum – Ano A A liturgia da palavra deste domingo fala-nos do plano de Deus para o mundo e para os homens e mulheres: a im-lementação do seu “Reino”. Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia-nos que Deus irá fazer brilhar uma luz por cima do caminho do mar, a Galileia dos gentios, e que porá fim às trevas que inundam todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero. Na verdade, esta profecia messiânica de Isaías encontra o sem sentido pleno em Jesus, pois é Ele que ilumina o mundo com uma aurora de esperança. Ele é a luz que se levantou para vencer as cegueiras que ocultavam a esperança e para inaugurar o novo mundo da justiça, da verdade, da paz, da fraternidade. A luz de Jesus é, hoje, perceptível como uma realidade viva, actuante na história humana? De que modo? Acolher Jesus é aceitar o plano de Deus, efectivando aqui e agora o seu “Reino”. Como me posiciono diante das situações de desigualdade social, de ocultação e marginalização dos mais fracos, de guerra, de divisão? Sinto-me responsável pela instauração deste “Reino de Deus” no tempo e local em que me é dado existir e actuar? Isaías sugere-nos que só podemos confiar em Deus e na sua decisão de vir ao nosso encontro para nos apresentar uma proposta de vida e de paz. E eu, em quê ou em quem coloco a minha esperança e a minha segurança: nos políticos que me prometem tudo e se servem da minha credulidade para fins impróprios? Nos bens materiais que se desvalorizam e que não servem para alcançar a paz do coração?
O evangelho descreve a realização da promessa: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia e propõe aos homens e mulheres, de toda a terra e de todos os tempos, a Boa Nova da chegada do “Reino”. À chamada de Jesus, respondem logo os primeiros discípulos. Eles serão também os primeiros receptores da sua proposta e as testemunhas encarregadas de levar o “Reino” a toda a terra, isto é, a Boa Nova de que na Pessoa e na Mensagem de Jesus começa a construir-se o “Reino de Deus”. O que é que nas estruturas da nossa sociedade ainda impede a efectivação do “Reino”? O que é que nas minhas opções e comportamentos é obstáculo à instauração deste “Reino”? A história do compromisso de Pedro e André, Tiago e João, com Jesus e com o “Reino”, é uma história que define os traços essenciais da caminhada de qualquer discípulo/a. A resposta pronta e decidida destes discípulos de Jesus faz-me pensar, comparativamente e por oposição, na lentidão das nossas respostas a Deus, quando nos chama a segui-lo de mais perto, na dedicação total das nossas vidas a Jesus e ao seu Reino, ou quando nos pede uma maior entrega ao serviço dos irmãos e irmãs, nas mais diversificadas tarefas, ao serviço da comunidade humana e cristã. Porque é que não sou mais pronto/a e radical na minha entrega a Jesus? Convenhamos que, hoje, é mais difícil arrumar os nossos instrumentos de trabalho e desprendermo-nos das nossas coisas. A vida é muito mais complicada, argumentamos. Contudo, o Mestre é o mesmo e as necessidades do povo, que continua nas trevas, vão aumentando. Então, porque não me decido?
A segunda leitura apresenta-nos as rivalidades dos discípulos de uma comunidade cristã de Corinto, que se esqueceram de Jesus e da sua mensagem. Paulo exorta-os insistentemente a redescobrirem os alicerces da sua fé e das promessas assumidas no seu baptismo. O texto lembra-nos que a experiência cristã é, basicamente, um pessoal encontro com Jesus Cristo, pois é só nele e dele que nos vem a salvação. A vivência da nossa fé não pode, pois, estar dependente do carisma de tal pessoa, ou estar ligada à celebridade deste ou daquele padre que preside à nossa comunidade. É a Jesus Cristo que o nosso compromisso baptismal nos liga. Cristo é, de facto, a minha referência fundamental? É à volta dele e da sua mensagem que a minha experiência de fé se constrói?
Leituras do 3º. Domingo do Tempo Comum
Is 8,23b–9,3; Sl 27 (26); 1 Cor 1,10-13.17; Mt 4,12-23
