O padre é para si próprio objecto de fé

Novo padre e diácono a caminho do sacerdócio ordenados no domingo O Evangelho falava do chamamento dos quatro primeiros apóstolos. Pedro e André, Tiago e João deixaram redes, barco, pai ou patrão e seguiram Jesus.

Esse chamamento inaugural é o modelo de todos os chamamentos. Radicais, incondicionais e para sempre. “Os caminhos de Deus não têm regresso”, disse D. António Marcelino. “São mistério da escolha divina e mistério da resposta humana”, acrescentou o bispo de Aveiro, antes de ordenar diácono João Alves – “permanente na disponibilidade e transitório no diaconado” – e padre Rui Barnabé.

“A vida do padre está envolvida neste mistério e só se explica na fé e pela fé”. “Manifesta e realiza um poder que não vem dele. De manhã à noite. Ama a todos sem que seja pertença de alguém em particular. Expropriado em favor de todos, apesar das suas limitações. É assim com todos os que Deus continua a escolher”, disse D. António.

E porque foi numa celebração de fé que a catedral cheia participou, no final o “nosso bispo”, como disse que gosta de ser chamado, dirigiu-se ao “nosso padre” novo e disse, num tom de amizade e paternidade: “O padre é um mistério de fé. Rui, a partir de agora, tens de fazer um acto de fé sobre ti próprio”. E, em sinal de fé sobre o jovem acabado de ordenar, o bispo de Aveiro beijou-lhe as mãos.

No final da celebração, D. António agradeceu aos educadores dos seminários e incentivou jovens e seminaristas. Aos pais em geral e aos dos dois jovens ordenados deixou estas palavras: “[Os vossos filhos] quanto mais são de Deus, mais são dos pais e dos irmãos. (…) Que Deus vos recompense porque os ajudastes a crescer. Agora, deixai que eles voem”. Voar, aqui, é continuar aquela história inicial em que um punhado de homens deixou as redes do pequeno lago da Galileia, para pescar num mar do tamanho do mundo.

J.P.F.

João Miguel Araújo Alves

Filho de José João Alves e Maria da Piedade Araújo Alves

Nasceu em Aveiro e residia em Cacia.

Percurso escolar: Escola Primária em Cacia; Escola Preparatória e Escola Secundária em Esgueira; Escola Secundária Homem Cristo em Aveiro, no tempo do Seminário de Aveiro; Ano Propedêutico em Leiria, Instituto Superior de Estudos Teológicos em Coimbra.

Actualmente é colaborador da equipa sacerdotal da paróquia de Ílhavo.

Trabalhos pastorais anteriores: o Pré-Seminário, a Paróquia de Oiã, a Paróquia de Esgueira e a Pastoral Vocacional.

Recebeu o ministério de Leitor em 2002 e o de Acólito em 2004.

Livro preferido: “O Principezinho”, de Saint-Exupéry

Anda a ler: “Pai Nosso”, de Leonardo Boff.

Gosta especialmente do filme: “O Homem que plantava árvores”.

Nunca se cansa de ouvir os discos da Mafalda Veiga.

Nos tempos livres gosta de fazer caminhadas, mas também “gostava de voltar a ocupar os tempos livres a divertir-me a (tentar) traduzir hebraico”.

Objecto muito estimado: Um fio de Taizé com o IXTUS [Peixe, em grego, acróstico de (I)Jesus (X)Cristo, (U)Filho de (T)Deus (S)Salvador].

Lugar de eleição em Portugal: Aveiro.

País que gostava de visitar: Egipto.

Uma qualidade que tem: Disponibilidade.

Pessoas admiráveis: “Tantos e tantas anónimas por esse mundo fora, que têm a ousadia de lutar por um mundo mais justo e humano… pessoas que com consciência ou sem ela, perceberam a radicalidade e a mensagem de Jesus Cristo”.

Herói do passado que gostava de conhecer: Nenhum.

Passagem da Bíblia a que volta muitas vezes: Salmo 139 como hino ao Deus-Presença: “Senhor, Tu examinaste-me e conheces-me, sabes quando me sento e quando me levanto; à distância conheces os meus pensamentos…”

Gesto de Jesus que muito admira: “Compreendeis o que vos fiz?” Pergunta de Jesus no momento do ‘Lava-Pés’.

Frase que o inspira: “Amar a todos, servir a todos, sofrer por todos” (Paulo VI).

Rui Jorge C. Melo Neves Barnabé

Filho de Reinaldo Castanheira Neves Barnabé e Maria do Carmo Coutinho Melo Barnabé.

Nasceu em Arouca e residia em Albergaria-a-Velha

Percurso Escolar: Primeiro ciclo em Avis (Alto Alentejo) e Albergaria-a-Velha. Preparatório em Albergaria-a-Velha. Secundário em Albergaria-a-Velha e Homem Cristo, Aveiro, com seminarista. Propedêutico em Leiria e curso superior em no Instituto Superior de Estudos Teológicos – Seminário Maior de Coimbra.

Trabalha na Paróquia de Esgueira e é Director do Secretariado Diocesano de Pastoral Juvenil.

Antes disso, colaborou no Pré Seminário, na paróquia de Angeja e no Secretariado Diocesano de Pastoral das Vocações.

Ministérios: Leitor em 2002. Acólito em 2004. Diácono: 11 de Julho de 2004.

Livro preferido: “Ensaio Sobre a Cegueira”, de J. Saramago.

Livro que anda a ler: “Jesus Christ, homme libre”, de Christian Duquoc.

Filme que não cansa ver: “Dancer in the dark”.

Disco de eleição: “O Sambista”, de Chico Buarque.

Nos tempos livros é bom: Caminhada ao ar livre. Descobrir de novos espaços naturais.

Objecto muito estimado: “Cruz de lapela que uso, não por aquilo que significa qualquer cruz de lapela, mas também pela forma como me chegou às mãos: é também significativa por causa disso…”

País que gostava de visitar: Nova Zelândia.

Qualidade que tem: Perseverança.

Pessoa viva que admira: Ir. Roger de Taizé.

Figura do passado: Leonardo Da Vinci: o paradigma do homem eclético!

Gesto de Jesus: Mc 6,30-44 – Multiplicação dos Pães: Olhou para a multidão e sentiu preocupação por ela… não os podia despedir sem ter em conta as suas necessidades…

Passagem bíblica: 2 Cor 4,7ss: “Trazemos um tesouro em vasos de Barro para que se possa ver que este extraordinário poder é de Deus e não nosso”.

Lema: Rezar como se tudo dependesse de Deus, trabalhar como se tudo dependesse de nós.

Palavra preferida: Desafio.