Olho de Lince Recordo-me da sensação de maravilha, quando consegui abrir, pela primeira vez, os olhos debaixo de água. E não sou mergulhador, entenda-se! Mas extasio-me diante de alguns programas em que podemos saborear a exploração das profundidades marinhas, de faunas e floras exuberantes. Fico com alguma dor de cotovelo por não ser dado a esses atrevimentos.
Vem isto a propósito de uns encontros de jovens, nestes dias. Dolorosamente, constatei a frivolidade de quantos não ultrapassam a superfície das águas, vendo apenas ondas esverdeadas ou amarelas, algas à solta, turbilhões de espuma e areia. As suas questões não são existenciais: não mergulham no seu íntimo… Vêem ao espelho do seu espírito apenas os seus próprios “adereços”; e ficam privados do sabor e do sentido da vida. Não se conhecem; não se apreciam!
Muitos outros sabem deixar-se repassar pelo silêncio, totalmente disponíveis e tranquilos! Não têm medo da surpresa da consciência, da inspiração do Espírito, da luz de Cristo, que lhes descobre os recantos do coração, que lhes confere a coragem da ousadia, que os estimula com desafios surpreendentes. E transparece no seu rosto o ar da felicidade contagiante de quem se entrega, ciente dos limites, confiante nos apoios! Fizeram-me bem, três destes jovens; fizeram-me retomar a ousadia!
Q.S.
