Mensagem quaresmal para 2005 Pede-nos o Santo Padre, na sua Mensagem para toda a Igreja, que prestemos uma especial atenção às pessoas mais idosas. Pela sua fragilidade, pela pouca atenção que por algumas delas manifestam os seus familiares, pelo diminuto interesse que lhes prestam alguns sectores da sociedade, mas também por se tratar de pessoas às quais a sociedade deve muito e que podem ainda prestar a esta sociedade que se desumaniza um contributo meritório.
A média de vida cresceu. Porque diminuem os nascimentos, teremos cada vez mais idosos entre nós. Não basta diverti-los, mas respeitá-los, ouvi-los, reconhecer a sua dignidade e valor, contar com eles, pois em muitos deles existem reservas de saber e experiências de vida que constituem património comum a todos nós.
Numa progressiva cultura de morte, já se confirma e acena por essa Europa fora que a eutanásia pode ser solução para o problema de muitos idosos. A morte nunca é solução para quem tem direito à vida. Não será de estranhar que entre nós, que há tantos anos acabamos com a pena de morte, se possa vir a legislar a morte sem pena.
Há que alertar cada vez mais as comunidades para o apoio aos seus idosos. Um apoio que revista uma forma de amor efectivo, que sabe ir ao encontro, ouvir pacientemente, multiplicar os gestos de carinho, prestar os serviços necessários, estimular as capacidades existentes, comunicar a alegria de viver. É de grande alcance o trabalho das instituições e o apoio do Estado às mesmas. O mesmo se pode dizer dos inúmeros voluntários, que, organizados ou não, são uma presença regular na casa dos idosos e nos lares que os acolhem.
Nada disso dispensa que os idosos tenham uma reforma que permita responder às suas necessidades de saúde e outras, mormente quando não têm filhos ou outros familiares que satisfaçam para com eles uma dívida nunca suficientemente paga.
Recomendo a todas as paróquias que vejam bem se no seu seio há idosos não suficientemente atendidos e se organizem para que o sejam quanto antes. Há sempre gente, mormente quando se trata de pobreza envergonhada, que pode facilmente estar escondida por detrás de necessidades que não se descobrem facilmente. Com o respeito e discrição que todos nos merecem, é preciso ir ao seu encontro.
A Quaresma é tempo propício para pensarmos em nós e nos outros que podem precisar de nós.
António Marcelino,
bispo de Aveiro
