Vale a pena interpelar! Vale a pena acreditar nas pessoas!

Olho de lince Já noite caída, tocaram a campainha da casa paroquial. Um jovem bem aparentado, multiplicando-se em esforços para se fazer entender, procurava guarida para uma noite. Conferi os documentos: não tive dúvidas sobre a honestidade daquela pessoa, sobre o seu espírito de peregrino de Santiago. Acontece com frequência o aparecimento desta gente.

O tempo urgia. Manifestou desejo de participar na Eucaristia. No percurso, curto, de automóvel, desenferrujei o meu francês. Aproveitámos para algum conhecimento mútuo. Não teríamos dificuldade em conversar longamente, e com interesse, porque de um jovem interessante e interessado se tratava.

Antes de iniciar a celebração, troquei impressões sobre as hipóteses de “dar pousada a este peregrino”. Com o frio que se tem feito sentir, não era cristão ceder simplesmente um espaço “debaixo de telha”. Mas a conversa já tinha suscitado uma hipótese, razoável, se viesse a concretizar-se.

No final da celebração interpelei a assembleia. E valeu a pena! Um casal que fora emigrado longos anos em França abriu as portas da sua casa. Contentamento geral! “Também nós fomos acolhidos por lá. Não o esquecemos” – dizia a hospedeira. “Estou muito sensibilizado com este gesto!” – dizia o rapaz.

Afinal, Albergaria fez jus ao seu nome! Há sempre gente que é coerente com a fé que professa; e sabe as Obras de Misericórdia!

Q.S.