Senhor, tu és a “Luz”

À Luz da Palavra – 4º domingo da Quaresma – Ano A Começando no passado domingo, a liturgia da Palavra orienta-se para a inserção dos catecúmenos na Igreja, propondo símbolos baptismais. No domingo anterior, foi o da água e, neste, é o símbolo da luz, que cura a cegueira da humanidade, cegueira de nascimento. Por isso, o baptismo foi chamado “sacramento da iluminação”. A experiência cristã define-se como um “viver na luz”.

No evangelho, Jesus apresenta-se como “a luz do mundo”. O “cego” desta narrativa é símbolo de todos os que vivem na escuridão, privados da “luz”, prisioneiros das cadeias que os impedem de chegar à plenitude da vida. A missão de Jesus, como luz, é libertar-nos das trevas do egoísmo, do orgulho e da auto-suficiência. Aderir à proposta de Jesus é enveredar por um caminho de liberdade e de realização, que conduz à vida plena. Esta Palavra convida-nos a um processo de renovação interior, que nos leve a deixar tudo o que impede que brilhe em nós a “luz” de Deus. Receber a “luz” que Cristo oferece é tornar-se um Novo Ser, elevado às suas máximas potencialidades pela comunicação do Espírito, e é, também, acender a “luz” da esperança no mundo.

Na segunda leitura, Paulo propõe aos cristãos de Éfeso que recusem viver à margem de Deus e que escolham a “luz”. Viver nas “trevas” é recusar as propostas de Deus, viver prisioneiro das paixões e dos falsos valores. Ao contrário, viver na “luz” é acolher o dom da salvação, que Deus oferece, aceitar a vida nova que Ele propõe, escolher a liberdade, tornar-se “filho e filha de Deus”. Os cristãos são aqueles e aquelas que escolheram viver na “luz” e, mais ainda, franquear as “trevas” e denunciar as obras do egoísmo, da mentira, da escravidão e do pecado.

A primeira leitura não se refere directamente ao tema da “luz”. No entanto, narra a escolha de David para rei de Israel e a sua unção. Neste sentido, sugere uma simbologia baptismal: a unção, que recebemos no dia do nosso baptismo e que nos constituiu testemunhas da “luz” de Deus no mundo. Este texto mostra-nos que Deus tem critérios diferentes dos nossos: “Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração”, e convida-nos a entrar na lógica de Deus e a aprender a ver com o coração.

Leituras do 4º domingo da Quaresma – Ano A

1 Sam 16,1b-6-7.10-13a; Sl 23 (22); Ef 5,8-14; Jo 9,1-41

Deolinda Serralheiro