O que se espera de José Sócrates?
* Que dê prioridade a reformas estruturais, sempre adiadas;
* Que o ministro das Finanças tenha capacidade e determinação para combater, de uma vez por todas, a fuga ao Fisco;
* Que o ministro da Economia saiba atrair investimentos para o País;
* Que aposte nos melhores políticos e nos melhores técnicos, do PS e independentes;
* Que acabe com a burocracia e com o Estado escandalosamente gastador;
* Que não siga a política do clientelismo;
* Que não substitua gente competente, só porque não pertence ao PS;
* Que não adie para amanhã, o que pode fazer hoje. O povo está farto de esperar;
* Que não esqueça que a Educação e a Cultura são fundamentais à sobrevivência de uma nação;
* Que tenha sempre em conta a luta contra a pobreza e que olhe mesmo para os que passam fome;
* Que respeite os princípios que enformam a sociedade portuguesa.
Fernando Martins,
http://pela-positiva.blogspot.com/, 25-02-05
O utópico, sagrado, patético e hipotético povo de que falam os políticos nada tem a ver com a gente viva. Essa gente que tem sessenta contos por mês para viver, essa gente que pede fiado na farmácia porque não tem dinheiro para comprar os medicamentos da Caixa, essa gente que depois de pago o Passe Social, tem para comer uma vez por dia, essa gente que empenha o ouro que tem para comprar leite, essa gente que não tem carro nem casa própria, essa gente que vive a quilómetros da cidade e se levanta às seis da manhã para deixar os filhos na escola e meter-se na bicha dos transportes, essa gente que perdeu a terra e se suicida quando chega a velha, essa gente que perdeu o emprego e ainda não arranjou outro, esse gente que o sistema esqueceu ou abandonou, essa gente que o novo tempo esqueceu e não teve tempo de aprender, esse gente que parece remediada e que é apenas pobre.
Clara Ferreira Alves,
Única (Expresso), 26-02-05
Sempre que há uma catástrofe, um tsunami ou a morte de alguém próximo, a pergunta é invariavelmente a mesma. “Onde estava Deus”? A catequese, tal como era dada, impingiu às pessoas um Deus-bombeiro?
É preciso desmistificar essa ideia – Deus não criou o mundo e foi de férias. Deus anda a criar o mundo através de nós. Como uma mãe que dá a vida, ensina, sofre connosco, mas não interfere, não manipula a liberdade que deu. Uma boa mãe é aquela que ensina o filho a atravessar a rua e não aquela que atravessa a rua sempre com ele,. Se uma pessoa é atropelada, ninguém no seu perfeito juízo diz “Onde estava a mãe?” Pode é perguntar-se o que é que ele fez dos ensinamentos que a mãe lhe deu sobre como atravessar a rua. Na minha maneira de ver, no tsunami, ou no holocausto, Deus esteve sempre lá. Não para impedir mas para sofrer com os que sofrem, inspirar os voluntários e a nossa generosidade, roer a consciência dos que fizeram mal, quando é caso disso. Deus está no coração das pessoas, a sofrer e a viver com elas, é ele que as inspira, mas não se lhes substitui. Cristo não resolveu problema algum, os discípulos até ficaram baralhados, mas deixou-nos com uma atitude, uma fortaleza e uma sabedoria… deixou-nos o Espírito, que nos inspira e nos leva a fazer a diferença.
Pe Vasco Pinto de Magalhães
entrevistado por Isabel Stilwell,
Notícias Magazine, 27-02-05
A figura de Jesus está demasiado atada a um registo dogmático. A única vantagem que têm estas histórias [o Código da Vinci, por exemplo] é a de abordar Jesus, dessacralinzando o discurso em torno dele. É muito importante voltar a falar de Jesus. É pertinente regressar ao texto bíblico e percebê-lo nesta dimensão narrativa, entender que os evangelhos são relatos. O leitor de todos os tempos tem necessidade de acolher uma bela história, que fale à sua racionalidade, mas também ao seu coração e emoções, que o prenda também pela dimensão simbólica e afectiva.
Pe Tolentino Mendonça
entrevistado por António Marujo,
Público, 26-02-05
