“Senhor, tu és a ‘Vida’”

À Luz da Palavra – 5º Domingo da Quaresma – Ano A A liturgia deste domingo centra-se sobre a vida definitiva que supera a própria morte, vida que nos é oferecida por Cristo ressuscitado, pela força do Espírito Santo.

Na primeira leitura, Deus oferece ao seu Povo exilado, desesperado e sem futuro, uma vida nova que vem pelo Espírito. Deus irá recriar o coração do Povo e inseri-lo numa dinâmica de obediência a Deus e de amor ao próximo. O mais significativo é que, mesmo quando tudo parece perdido e sem saída, Deus lá está, transformando o desespero em esperança e a morte em vida. O Deus da vida encontra sempre formas de transmitir vida ao seu Povo. Na nossa existência pessoal, passamos, muitas vezes, por situações de desespero, em que tudo parece perder o sentido. A Palavra de Deus assegura-nos que Deus caminha ao nosso lado, oferecendo-nos o seu Espírito transformador e renovador, tirando vida da morte, dando-nos coragem para “sair do túmulo” e avançar ao encontro da vida plena.

O evangelho atesta que Jesus veio realizar o desígnio de Deus e dar-nos a vida definitiva. A ressurreição de Lázaro fala da vida, que é o próprio Cristo no mistério pascal. O Espírito que ressuscitou Jesus é o mesmo que pôs de pé o povo de Israel, sepultado na sua desgraça. A questão essencial da leitura é a afirmação de que não há morte para os “amigos” de Jesus, isto é, para aqueles que acolhem a sua proposta e aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irmãos e irmãs. Marta manifesta ser “amiga” de Jesus e confessa a sua fé no Senhor que dá a vida. No dia do nosso baptismo, também escolhemos ser “amigos” de Jesus e entrar na vida plena e definitiva. Se vivermos deste modo, havemos de experimentar a morte física, mas não morremos: viveremos para sempre em Deus.

A segunda leitura recorda-nos que, no dia do nosso baptismo, nos decidimos por Cristo e pela vida nova que Ele veio oferecer. O texto convida-nos à coerência: a fazermos as obras de Deus e a vivermos “segundo o Espírito”, pois é Ele que confere a vida. “Viver segundo o Espírito” significa viver no amplexo de Deus; ao passo que “viver segundo a carne” significa viver à margem de Deus. No dia do nosso baptismo optámos pela vida do Espírito. A partir daí, escolhemos identificar-nos com Cristo, vivendo na obediência ao Pai e no dom da vida aos irmãos e irmãs. O exemplo de Cristo garante-nos que uma vida gasta deste modo não termina no fracasso, mas na vida definitiva, na felicidade total, na ressurreição. Crês nisto?

Leituras do 5º domingo da Quaresma – Ano A

Ez 37,12-14; Sl 130 (129); Rm 8,8-11; Jo 11,1-45

Deolinda Serralheiro