Falar, sim; experimentar, não

Educar… hoje Paradoxalmente, hoje, vive-se mais tempo em casa dos progenitores, prolongando determinado tipo de dependência, mas começa-se um certo estilo de vida adulta por volta dos 12 anos, com saídas à noite [sem marcação de horas de chegada a casa, em muitos casos], com bares, aos quais se alia, aos poucos, o consumo de bebidas brancas e algumas drogas.

Não se pode generalizar, mas pode contar-se a história das drogas e das bebidas alcoólicas de muitas formas. Infelizmente, vários adolescentes contam-na já na primeira pessoa. O que fazer, então, para que as histórias continuem na terceira pessoa? A história da toxicodependência e do álcool pode contar-se através da leitura (há narrativas para crianças e adolescentes, muito apreciadas); pela investigação que se faz, na internet, nas enciclopédias, nos centros de saúde, nos CAT (Centros de Atendimento a Toxicodependentes); em palestras nas Escolas.

No rescaldo de uma dessas palestras, observei alunos entre os 12 e os 15 anos a redigir um artigo para o jornal da sua Escola. Aprenderam que não é difícil reconhecer sinais e sintomas: tem-se muito dinheiro, ri-se demasiado e os olhos brilham demais, há falta de concentração, vive-se na apatia. Estes, entre outros, são alguns dos comportamentos estranhos que indiciam o consumo de drogas. Depois de momentos de harmoniosa redacção, o grupo de alunos começou a levantar as vozes. Interpretando o que tinham então ouvido e acrescentando outras informações, confrontavam atitudes a ter, face a propostas para a experimentação. Ouvidas as explicações dadas pelos adultos, talvez o mais produtivo seja o subsequente debate que se gera. Quando a informação é transmitida por alguém da mesma idade, parece que se reveste de outra importância. “O segredo está em não experimentar” era a conclusão que se ouvia no final do trabalho.

O segredo estará também no confronto directo dos membros da comunidade escolar, com especial relevo para os alunos, pais, professores e auxiliares da acção educativa. Bom seria que todas as Escolas fomentassem sessões de esclarecimento sobre as drogas e o álcool. É ponto assente, dizem-no os técnicos, que é na idade escolar que a maior parte dos jovens se transformam em consumidores. Não quer isto dizer que o façam dentro da Escola, mas é nesse período que contactam pela primeira vez com drogas e bebidas alcoólicas.

Por isso, os educadores preocupam-se em promover contactos e reflexões, levando os próprios alunos a procurar informação, a questionar e a debater. Só falar não evita o consumo, mas alerta para os problemas e faz pensar. E deve promover-se a troca de impressões em momentos-chave, como a divulgação de estratégias nacionais, ou europeias, para combater as Drogas. No final de 2004, o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) fez a Avaliação da Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga – 1999/2004, acessível em www.drogas.pt. Neste momento, já há um programa com as novas Linhas de Acção da Estratégia Nacional para 2005-2012. Elegem-se como parceiros fundamentais a Escola e a Família.