Felizes os que promovem a Paz

Direitos Humanos Chegado, uma vez mais, ao Nordeste Brasileiro, para um novo compromisso missionário, fui “apanhado” no meio de uma Campanha da Fraternidade 2005 deveras ousada.

Todos os anos, a CNBB – Conferência dos Bispos do Brasil, promove, durante o tempo da Quaresma, uma Campanha de evangelização, em cada ano subordinada a um tema específico. Assim, ao longo das semanas da Quaresma, a Igreja propõe que, não só os cristãos mas toda a sociedade em geral, se possam debruçar, à luz do Evangelho, sobre uma determinada temática.

No historial da Campanha da Fraternidade (CF), que acontece desde o ano de 1962, sobressaem temas como a Família, a Juventude, a Terceira Idade, a Justiça, os Povos Indígenas, a Água, as Drogas, o Trabalho, etc…

Seguindo o método do Ver-Julgar-Agir, e num claro convite a uma atitude de conversão, o tempo da Quaresma é aproveitado para encontros, catequeses, celebrações, campanhas mediáticas e tomadas de posição públicas, que servem de denúncia do que está mal e anúncio do que deverá ser um posicionamento evangélico perante essa(s) realidade(s).

No presente ano de 2005, a CF tem, pela segunda vez na sua história, um carácter ecuménico. É organizada, à semelhança do que tinha acontecido no ano 2000, em conjunto pela Igreja Católica e por outras Igrejas que também fazem parte do CONIC – Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (como são a Episcopal Anglicana, a Luterana, a Metodista, a Presbiteriana ou a Ortodoxa). Tudo porque o sucesso da CF2000, que tinha como lema “Um novo milénio sem Exclusões”, está agora a ser aproveitado para o presente tema Solidariedade e Paz.

Como podemos constatar, se olharmos à situação em que o mundo se encontra, a pertinência do tema é de uma actualidade atroz.

Num tempo em que o egoísmo e a(s) violência(s) ditam as suas regras no relacionamento entre os povos, todos os seres humanos de “boa vontade” têm que ter esperança e aspirar à Solidariedade e à Paz.

Muitos são os tipos de violência que nos circundam: a violência física, mas também a psicológica, a violência social, mas também a cultural, a violência sexual e a política…

A essa violência, os cristãos em particular, e todos os humanistas em geral, somos chamados a responder levantando a bandeira da Solidariedade e da Paz. Gritar por Justiça, Liberdade e pelo Amor, não pode ser só o posicionamento de uns poucos. Pelo contrário, é necessário que, cada vez mais, haja gente determinada a mover uma luta, sem tréguas, contra todos os tipos de exclusão, de autoritarismo e de desrespeito pela dignidade do ser humano.

Quando me apercebo, aqui no Nordeste, das pequenas comunidades que vivem no interior do mato, dos grupos de jovens, dos grupos de catequese, dos casais, que se juntam para reflectir sobre a Paz e, principalmente, para agir perante as violências, em casa, no campo, na escola, nas ruas, apodera-se de mim uma enorme vontade de dar Graças a Deus.

É que, através do testemunho desta gente simples e carente de recursos materiais, sinto que ainda é possível aprender e empreender um novo caminho, que possa levar os seres humanos rumo a uma sociedade mais pacífica e solidária.