Sinfonia da vida

Olho de Lince Na sinfonia da vida, foram poucos os acordes dissonantes, mau grado a expectativa de alguns, que gostariam de ver Portugal na “linha da frente” dos que têm uma visão redutora da existência humana, considerando-a só válida enquanto nos agrada.

Foram muitas as notas elevadas no diálogo televisivo. Apraz-me sublinhar, para começar, a afirmação desinibida do profissional de saúde, a lidar com doentes terminais, declarando que, mesmo em condições difíceis, a imensa maioria quer viver!

Impressionante, também, ter-se afirmado, sem rodeios, que não se pode avaliar a “produtividade” do médico pelo número de consultas efectuado, mas pelo seu resultado final: três consultas poderão traduzir-se em visível melhoria de qualidade de vida, para pacientes e família, e grande poupança de gastos, pelos internamentos evitados.

Uma terceira nota positiva. Não basta formação técnica para os profissionais de saúde. É indispensável. Mas é necessária também a formação humanista. A concepção e consciência do valor da pessoa humana e da vida têm de andar a par com a formação técnica e científica. Aqui, fica a pergunta de um antigo ministro do ambiente: “Quantas horas de formação human(a)ista têm os nossos cursos universitários, que preparam para lidar com pessoas” ( e, neste caso, com a vida)?

Q.S.