LIVRO – Teólogo descreve e explica as grandes religiões Das favelas da América Latina a Roma, de uma sinagoga em Nova Iorque a um mosteiro no Tibete, da selva africana aos grandes rios da índia, de Confúcio a Maomé, Hans Küng descreve e explica as grandes religiões.
Se deseja um livro que fale das principais religiões de uma maneira rigorosa e respeitadora, não procure mais. “Religiões do mundo – em busca dos pontos comuns”, do teólogo suíço Hans Küng, é do melhor que já se escreveu: livro equilibrado e profundo e com uma visão descritiva e testemunhal das religiões. É o autor que diz, mas concordamos: “Este livro contém para seus leitores e leitoras: uma informação séria e bem comprovada; uma orientação que possa servir de ajuda para enfrentar a complexidade e a multiplicidade das religiões; uma motivação que estimule a uma atitude nova frente à religião e às religiões”.
O mundo das religiões é misterioso e imenso. No entanto, podem ser classificadas segundo três grandes correntes. As religiões originárias da India (hinduísmo e budismo), as originárias da China (confucionismo e taoísmo) e as que tiveram origem no Médio Oriente (judaísmo, cristianismo e islamismo). Para as primeiras, a figura-chave é o místico. Nas segundas, sobressai o sábio. Nas terceiras, o profeta. Há ainda um quarto tipo de religiões, as tribais, sem qualquer texto escrito.
Este livro é importante por três motivos: para a paz do mundo, para conhecer as outras tradições religio-sas e satisfazer curiosidades, e para conhecer o cristianismo/catolicismo. Conhecer o catolicismo? Não o conhecemos, já? Os primeiros parágrafos do cap. VI põem em causa algumas ideias feitas sobre o ser católico: “Muitos europeus perderam a esperança no cristianismo, desenganaram-se dele. Voltaram as costas às igrejas. Identificam o cristianismo com burocracia e pompa, com a ditadura doutrinária, com a hostilidade à mulher e ao sexo, com a igreja oficial autoritária e incompreensiva…” E a descrição continua com uma viagem a El Salvador, onde o padre jesuíta Daniel Sanchez constrói uma comunidade cristã no meio das favelas. É o ponto de partida para afirmar que “a essência do cristianismo não é, como muitos pensam, alguma grande teoria, uma visão do mundo ou um sistema de igreja. É pura e simplesmente Jesus Cristo.”
Não há paz sem diálogo inter-religioso
O segundo motivo tem a ver com a fome crescente de conhecimento das outras religiões. Recentemente, uma acção do CUFC sobre budismo teve elevada participação juvenil. É um sintoma de insatisfação com a espiritualidade proposta pelas nossas igrejas, a par com o conhecido fascínio que as religiões orientais exercem sobre a Europa (quase sempre se esquecendo que o cristianismo tem em si tradições meditativas, métodos e técnicas espirituais riquíssimas). O último motivo (mas primeiro na importância), a paz. Hans Küng esclarece, logo no início, que não se trata de chegar a uma única religião, nem a um cocktail de religiões, “mas, antes, de um empenho pela paz entre os homens das diferentes religiões deste mundo.” Vale a pena reter estes quatro axiomas na base do livro: “Não haverá paz entre as nações, se não existir paz entre as religiões. Não haverá paz entre as religiões, se não existir diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões, se não existirem padrões éticos globais. Nosso planeta não irá sobreviver, se não houver um etos global, uma ética para o mundo inteiro.”
