Evangelho da vida!

1 – A vida foi a paixão permanente de João Paulo II. Defendeu-a e promoveu-a, em todas as circunstâncias, em todos os tons: contra a guerra, contra a fome, contra o homicídio, programado (aborto e eutanásia) ou não, contra a deterioração da qualidade de vida (a degradação do ambiente, a lentidão da ajuda internacional…). Convicto de que o nosso Deus é o Deus da Vida, assumiu esse como o verdadeiro combate que é Boa Notícia para a Humanidade! E, por isso, escreveu a encíclica Evangelium Vitae.

2 – Jesus Cristo fazia e ensinava. Daí brotava a Sua autoridade. Sua Santidade mergulhou tão profundamente no mistério de Jesus Cristo dado, que escreveu com a vida a mensagem que proclamou. E, neste aspecto central da defesa e promoção da vida, a sua subida radical, pelo caminho do sofrimento até ao calvário do “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito!” é uma lição para a eternidade!

3 – O Papa entrou na fase crítica da sua vida entre nós precisamente quando se consumava uma terrível batalha entre o culto da vida e o culto da morte – com a vitória do culto da morte, na sentença que ditou o fim de Terri Schiavo por privação de alimentos e água! Os derradeiros momentos do Santo Padre, na serenidade e na firmeza de quem sabe o que vale aos olhos de Deus uma vida, seja ela qual for, são o grito de esperança de que o Mundo acordará para os caminhos de autodestruição que trilha, retomando o respeito e o carinho pela vida, sobretudo quando ela se apresenta mais frágil e vulnerável!

4 – “Quando a medicina e a ciência se propõem encarnar o papel de Criador de todas as religiões, descodificando os meandros da existência, decidindo sobre o princípio e o fim, o Papa exibe a sua fragilidade, à mercê de uma ciência e uma medicina simplesmente humanas. Numa sociedade alérgica à velhice, que lida mal com a doença, que abomina o declínio do corpo, João Paulo II envelheceu e adoeceu à vista de todos, com naturalidade. Fê-lo com óbvio sacrifício pessoal, quase ao arrepio da discrição que a Igreja recomenda para tais momentos.” Em vinte e seis anos de pontificado, João Paulo II foi clarividente e inabalável na selecção dos valores permanentes, os únicos que identificam e promovem a Pessoa humana. Escolheu obviamente o caminho mais difícil. Mas a Humanidade lhe agradecerá a herança!

5 – Até ao fim, de pé, como as árvores! Como muitos gostariam de viver, não fossem os interesses mesquinhos de terceiros, que, abusivamente, interpretam os desejos de quem já não se pode exprimir ou decidem a sorte de quem não se pode defender! “A ideia de que não há nada a fazer com doentes terminais é totalmente enganadora. Tenho conhecido pessoas que, mesmo conscientes de que vão morrer, lutam com uma enorme força, valorizam as coisas mais simples… e isso é uma grande lição de vida”! Obrigado, Santidade, por esta lição de vida, pelo Evangelho da Vida que nos deixais!