Questões Sociais 1. Estamos de novo em processo eleitoral para as autarquias locais. De novo se apresentam as diferentes candidaturas, com os seus programas e também com a sua hostilidade. Os programas, a respectiva apresentação e defesa têm toda a razão de ser, e justifica-se prestar-lhes toda a atenção. É com base neles e na credibilidade dos candidatos que os eleitores tomarão as suas decisões.
Naturalmente, muito eleitores votarão de acordo com a sua ideologia, doutrina ou partido político. Tudo isto merece respeito e apreço.
2. Em contrapartida, é pouco animador que as campanhas eleitorais continuem a ser tão marcadas pela oposição sistemática e até pela hostilidade. Muitos candidatos, de todos os quadrantes políticos, apresentam-se ao eleitorado como detentores da perfeição, e escalpelizam os seus adversários como pura expressão do mal.
Este maniqueísmo primário e ancestral tem envenenado seriamente a nossa vida política, em todos os níveis. E é tanto mais negativo quanto é certo que todas as posições políticas são complementares entre si e todas contêm contributos positivos em maior ou menor grau. Aliás, a experiência tem mostrado que determinadas forças políticas, ao atingirem o poder, acabam por fazer uma parte do que tinham contestado enquanto se encontravam na oposição.
A realidade é o que é; algumas decisões são determinadas por ela própria, independentemente das posições ideológicas. E a dignidade destas posições não se afere pelo que contestam mas pela capacidade de integrarem tudo o que, de bom, já esteja realizado ou seja proposto.
3. A discordância é sadia, como sadia é a oposição. Mas tudo obriga a que não nos limitemos a isso. A oposição sistemática é tão opressiva e totalitária como o poder ditatorial.
O lastro humano que nos une a todos, apesar de todas as divergências (incluindo as mais extremas) impele-nos a desenvolver relações de cooperação e de complementa-ridade. Cada força e cada candidatura só contém a sua parte da leitura da realidade e das vias de solução dos respectivos problemas.
