Eleição do 265º Papa Elege-se um Pai e Pastor (Papa), um homem de fé, um exímio fazedor de pontes (Sumo Pontífice), o Vigário de Cristo na Terra.
Às horas a que este jornal chega às mãos do leitor é provável que já seja conhecido o sucessor de João Paulo II, o 265º Papa. Já terão decorrido sete (manhã de quarta-feira) ou onze escrutínios (manhã de quinta-feira).
D. José Policarpo, Patriarca de Lisboa e cardeal eleitor, afirmou vários dias antes do conclave começar que “o Espírito Santo já fez a sua escolha”. D. José Saraiva Martins, prefeito da Congregação da Causa dos Santos, o outro cardeal eleitor português, igualmente sobre a escolha do sucessor de Pedro, disse: “Vai ser uma eleição rápida”. Estas duas afirmações sintetizam o que é uma eleição papal: uma eleição humana e uma escolha dirigida pelo Espírito Santo.
Escolha humana porque desde que João Paulo II morreu – e mesmo antes – os cardeais, os bispos, os simples cristãos foram dizendo quem gostavam de ver à cabeça da diocese de Roma e da Igreja Católica. Apontaram-se nomes, mas delineou-se, antes de mais, um perfil. Quando João Paulo II foi eleito, a surpresa foi grande. Mas não o foi, de certeza, para os cardeais, que, antes da eleição discutiram o perfil do novo papa e o elegeram em pouco tempo (três dias, oito votações). Foi a escolha perspicaz dos príncipes da Igreja, para que o Leste da Europa se abrisse à democracia, aos direitos humanos, à Igreja.
A preceder o actual conclave, os cardeais (os 115 que vão eleger – há mais dois eleitores, mas por razões de saúde não se deslocaram a Roma – e os não-eleitores), em várias sessões, debateram o “estado da Igreja” e o que se exige ao sucessor de João Paulo II.
Escolha do Espírito Santo
Gianni Vattimo, filósofo italiano, disse, na morte de João Paulo II, que este Papa tinha sido “um golpe de génio do Espírito Santo”. Tocou num ponto essencial da fé católica: a eleição é igualmente escolha o Espírito Santo. O primeiro acto do conclave, na segunda de manhã, foi a Missa «Pro Eligendo Romano Pontifice» (“para a eleição do Romano Pontífice”). É chegada a “hora de grande responsabilidade”, disse o Cardeal Joseph Ratzinger, que presidiu à celebração. Na homilia, o Decano do Colégio Cardinalício, fez uma análise das necessidades da Igreja no mundo moderno, com críticas a correntes e doutrinas que vão “ao sabor da moda” e manifestou-se contra a “ditadura do relativismo”, que não reconhece nada como definitivo. Na oração dos fiéis, depois de se pedir “pela Igreja difundida por toda a terra, para que Deus a custodie e a proteja”, rogou-se especialmente “pelos cardeais chamados a eleger o Romano Pontífice, para que, iluminados pela graça do Espírito Santo, indiquem um digno pai e pastor da Igreja, que se dedique com todas as forças ao serviço do povo de Deus”.
Há a nítida percepção, em todo o mundo católico, que a escolha é guiada pelo desejo do melhor para a Igreja. Ou seja, mais do que um líder, um intelectual, um génio ou uma boa presença mediática, procura-se um Pai e Pastor (Papa), um homem de fé, um exímio fazedor de pontes (Sumo Pontífice), o Vigário de Cristo na Terra.
