Num ambiente de incerteza laboral, quase sempre acontece o mesmo: quanto mais baixas as qualificações do trabalhador, maior a probabilidade de ficar no desemprego. Os últimos dados relativos ao país dizem que 33,4 por cento dos desempregados (um terço, ou seja, 162 mil) têm apenas a escola primária. Isto faz recordar uma iniciativa da Associação de Antigos Alunos da Escola Secundária Mário Sacramento (antiga nº 1), que juntou empresários da zona de Aveiro (alguns deles antigos alunos da Mário Sacramento), professores e alunos. Decorreu em meados de Abril. O tema era se a formação dada na escola servia para o mundo empresarial. Discutia-se se devia ser uma formação de “banda larga” (mais generalista, de forma a que um jovem possa adaptar-se a vários trabalhos) ou “estreita” (mais especializada, mais profunda, mas mais limitativa). Pelo meio foram surgindo alguns princípios a reter. Isabel Albuquerque, da Novagrés, e Vanda, da Aida, alertaram para as competências comportamentais que um trabalhador deve ter, como o “respeito pelo próximo”, a pontualidade, “a boa educação, os bons modos” – coisas que por vezes são descuradas na escola, apostada mais nas componentes técnicas da formação. Mas ficou ainda mais realçada a necessária formação contínua, fundamental para que o trabalhador seja desejado, porque também ele tem que mostrar que merece o lugar que ocupa. Dizia a certa altura Francisco Serrador, responsável pela formação na Renault, citando uma frase que tinha na sua empresa e que copiara de uma estrangeira: “Se pensa que a formação é cara, experiente investir na ignorância”. Mendes da Paz adiantou uma sugestão que a sua empresa de material eléctrico, de nome EEE, já põe em prática: “A formação é um capital para as duas partes: empresa e formando. Por isso, quando se trata de formação, a empresa dá metade do tempo e o trabalhador dá a outra metade”. A empresa ganha com trabalhadores mais formados. E o formando ganha, porque – disse Mendes da Paz – “o que entrar na cabeça é deles, seja em que empresa for”.
J.P.F.
