Bênção e compromisso para oitocentos finalistas

A Alameda da Universidade encheu-se no domingo da Ascensão, 8 de Maio. Com um ramo de flores ou outra prenda nas mãos, os pais vieram de todos o país, muitos pela primeira vez à Universidade. “Não consegui ver quase nada. É pena que os pais não estivessem mais próximos, mas foi uma celebração cheia de significado”, disse Maria Lamas, de Viseu, mãe de um finalista de Electrónica e Telecomunicações. “Celebração cheia de significado”, porque cheia também de alegrias, esperanças, apreensão perante o mundo do trabalho e saudades (já!) da vida académica – lia-se no rosto e ouvia-se nas palavras dos oitocentos finalistas, esses em lugares privilegiados.

Noutras academias, benzem-se as pastas ou as fitas. Em Aveiro abençoam-se os finalistas. E eles respondem com um “Compromisso”. Dizia um dos pontos deste ano: “É nosso compromisso aplicar as aprendizagens adquiridas, de forma justa, digna, de modo a zelar pelos valores e dignidade humana, tantas vezes esquecida, e preservar o mundo belo que para nós criaste”. Na homilia, D. António deixara o repto: “Os êxitos na vida não são automáticos. São construídos e merecidos (…) Não percais, caríssimos finalistas, o entusiasmo pela vida. (…) Que não vos fascine o efémero e o transitório, mas a verdade e o bem”.

Curso=Responsabilidade

O curso que agora termina, para estes alunos das sete escolas de ensino superior da região de Aveiro, é apenas uma etapa, mesmo que represente “os melhores anos da nossas vidas”. Muitos viveram-no abdicando, por vezes, da tão famosa “vida académica”, como João Martins, finalista de Ensino de Matemática: “Sei que os meus pais se sacrificaram imenso para eu estar aqui. É uma alegria muito grande estar a terminar o curso no tempo certo”. “Um curso superior é sempre um investimento social para que seja, depois, uma responsabilidade pessoal”, relembrou o Bispo de Aveiro, sublinhando que a qualificação profissional é necessária em todos os âmbitos da vida e tem de ser exercida “pensando no bem dos outros e na sua própria dignificação”. “Assim se aprecia o sentido social de um curso, o valor real de um diploma, a justificação de uma luta pessoal e familiar, a qualidade de uma escola universitária ou superior, a dimensão de um compromisso que vai para além do curso terminado e do diploma recebido, do projecto conseguido”, concluiu D. António Marcelino.

A Bênção trouxe para o meio universitário milhares de familiares dos estudantes.

O Centro Universitário Fé e Cultura organizou uma celebração bela e eficaz, como de alguma forma reconheceu Helena Nazaré, Reitora da Universidade de Aveiro, ao Correio do Vouga: “Foi uma boa ideia o senhor padre Alexandre [director do CUFC] ter sugerido que fosse na Alameda. Traz muita gente à Universidade e os nossos alunos gostam de coroar assim o seu percurso. Começou com uma pequenina celebração na Sé, depois passou para o pavilhão e há uns anos é neste espaço magnífico. O padre Alexandre deve ter um contacto especial com São Pedro. Está sempre bom tempo no dia da Bênção. Consegue o impossível”.

J.P.F.