Desemprego de diplomados, decepção inevitável? (2)

Questões Sociais 1. Para se atenuar a grande decepção do desemprego de diplomados (e de todo o desemprego), parecem recomendáveis quatro linhas de orientação bastante simples. A primeira consiste na erradicação da tradicional separação entre o estudo e o trabalho.

Naturalmente, cada uma destas realidades tem a sua identidade própria que a distingue, claramente, da outra. Mas também acontece que ambas radicam no ser humano e tendem para a respectiva realização. Acontece também que as duas realidades se interpenetram e complementam: existe estudo no trabalho e trabalho no estudo; o estudo em si mesmo, pode contribuir para o enriquecimento do trabalho, e vice-versa.

Não se deduz daqui, obviamente, que o estudo exista só para o trabalho nem que este se limite à aplicação do estudo. Deduz-se apenas a estreita interdependência de ambas as realidades.

2.A segunda linha de orientação consiste num princípio que foi progressivamente abandonado a partir de meados do século passado. Trata-se do princípio segundo o qual é mais honroso trabalhar (em actividades dignas) do que viver na dependência de outrem. Mesmo que o trabalho não corresponda às habilitações escolares e seja mal remunerado, há que assumi-lo enquanto não surgir uma oportunidade mais adequada.

Deste princípio decorre que, em termos de emprego, o ensino – todo ele – não deveria estar orientado só para que o ex-aluno ocupe um determinado tipo de emprego, mas também para que saiba actuar, de maneira competente, humana, criativa e transformadora. Em qualquer tipo de trabalho digno (ou “decente”, segundo a Organização Internacional do Trabalho).

3.A terceira e a quarta linhas de orientação recomendáveis situam-se na esfera da responsabilidade. A responsabilidade pelo acesso ao emprego e pela respectiva qualidade é, simultaneamente, pessoal, familiar e colectiva (local e nacional).

A quarta linha consiste na conveniência cooperante entre o Estado, incluindo as autarquias locais, e a sociedade civil (cidadãos, famílias, empresas e outras entidades). Consiste igualmente na sábia gestão de tensões e conflitos, actuando nas respectivas causas e atenuando as suas consequências.